Tunísia/Mundo Arabe

Crise política na Tunísia pode inspirar países vizinhos

Novas manifestações pró-democracia foram registradas na Tunísia nesta segunda-feira. Movimento começa influenciar países vizinhos.
Novas manifestações pró-democracia foram registradas na Tunísia nesta segunda-feira. Movimento começa influenciar países vizinhos. Reuters

A saída do presidente Zine El Abidine Ben Ali do poder na Tunísia, na semana passada, pode servir de exemplo para outros países que vivem sob regimes autoritários na África e no Oriente Médio. Nesta segunda-feira uma manifestação contra a alta dos preços foi registrada em Omã e um homem ateou fogo ao próprio corpo no Egito.

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O receio de que o movimento pró-democracia da Tunísia tenha um efeito dominó nos países vizinhos se confirma. Na manhã desta segunda-feira um homem ateou fogo ao corpo no Egito, em frente à Assembleia do Povo do Cairo, repetindo o gesto do vendedor ambulante que deu inicio, em dezembro, à Revolução do Jasmin na Tunísia.

Já em Omã cerca de 200 pessoas saíras às ruas na cidade de Mascate em protesto contra o aumento do custo de vida. As manifestações são um fenômeno raro nessa monarquia árabe do Golfo e os protestos de rua são totalmente proibidos por lei. "O aumento dos preços destruiu os sonhos simples dos cidadãos", podia-se ler nos cartazes empunhados durante a passeata. Os preços sofreram uma alta importante em Omã desde a crise financeira mundial de 2008.

Essas manifestações reforçam as hipóteses de uma « contaminação » dos países árabes após a crise política na Tunísia. A lista de países com governos autoritários na África e no Oriente Médio, sujeitos à uma explosão de revolta popular, é longa: Egito, Argélia, Marrocos, Líbia, Sudão, Irã, Arábia Saudita, apenas para citar alguns exemplos.

Diogo Noivo, professor do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança, em Lisboa.

 

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