Tunísia/Protestos

Manifestantes voltam às ruas na Tunísia contra governo de transição

As Forças Armadas acompanham os protestos nas ruas de Tunis contra a situação política no país.
As Forças Armadas acompanham os protestos nas ruas de Tunis contra a situação política no país. Reuters

Manifestantes voltaram às ruas de Tunis, nesta terça-feira, para protestar contra o governo de união nacional anunciado ontem pelo primeiro-ministro Mohamed Ganouchi, que manteve ministros do antigo regime de Ben Ali no governo de transição.

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O primeiro-ministro tunisiano, Mohamed Ganouchi, anunciou na segunda-feira a formação de um governo de união nacional na Tunísia. Para insatisfação geral, os três postos mais importantes, como os de ministros do Interior, da Defesa e das Relações Exteriores, continuam nas mãos de membros do antigo regime de Ben Ali. Sentindo-se ameaçados, os tunisianos lançaram apelos pela internet convocando novas manifestações. Na rede social Facebook pode-se ler, entre outras mensagens, "O ditador caiu, mas a ditadura ainda não; os tunisianos devem acabar sua missão". 

O apelo foi ouvido. Novas manifestações acontecem nesta terça-feira em Tunis e outras cidades do país. Uma das maiores centrais sindicais tunisianas, a UGTT, que teve um importante papel de mobilização popular na deposição do presidente Ben Ali, declarou que não reconhece o governo provisório. Três ministros indicados pelas centrais para participar do governo de transição já pediram demissão.

Nesse momento de incerteza política, outra preocupação dos tunisianos é conter a ascensão oportunista de líderes islâmicos radicais num país que até o momento se caracteriza por um islamismo moderado. O líder islâmico Sadok Chourou, de 63 anos, libertado em outubro passado depois de passar 20 anos na prisão por suas atividades políticas, participa dos protestos em Tunis. Antes de ser preso, Chourou presidia o movimento islâmico Ennahda, que teve seu registro caçado.

O governo provisório tunisiano terá a responsabilidade de administrar a transição e preparar as próximas eleições presidenciais e legislativas, daqui a seis meses. Algumas medidas de abertura foram anunciadas como a legalização de quase todos os partidos, com exceção do partido islâmico Ennahda e o Partido Comunista dos Trabalhadores da Tunísia. Além disso, estão garantidas a partir de agora a liberdade total de informação, a libertação de todos os presos políticos e o fim da proibição das atividades de ONGs de defesa dos direitos humanos.

A revolução na Tunísia estará no centro dos debates de um fórum econômico dos países da Liga Árabe amanhã, em Sharm el-Sheikh, no Egito. As ditaduras árabes têm medo do contágio da revolução tunisiana, que pode inspirar outros povos a exigir uma abertura democrática em países de regime autoritário na África e no Oriente Médio.

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