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Diálogo nuclear entre Irã e países ocidentais fracassa mais vez

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, durante as negociações em Istambul.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, durante as negociações em Istambul. © Reuters

Depois de dois dias de reuniões em Istanbul, na Turquia, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse estar decepcionada com o resultado do encontro entre os iranianos e o grupo dos seis, que reúne os cinco representantes do Conselho Permanente de Segurança da ONU, formado por Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha, mais a Alemanha.

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“Viemos com propostas específicas e práticas para o reestabelecimento da confiança”, disse Catherine Ashton, “mas o Irã não está interessado em discussões construtivas. É essencial que o país demonstre a finalidade pacífica do seu programa”, finalizou. As potências ocidentais suspeitam que o Irã tenha a intenção de fabricar a arma atômica e utilize o seu programa nuclear como fachada. As autoridades iranianas insistem que a tecnologia nuclear será utilizada para produzir eletricidade. A chefe da diplomacia europeia ainda explicou que o grupo 5 + 1 apresentou uma versão atualizada do acordo de troca de combustível nuclear, que alimentaria o reator de pesquisas iraniano. A ideia é impedir que os iranianos enriqueçam material nuclear a alto teor em seu território.

O Irã, entretanto, exigiu o direito de continuar enriquecendo urânio e a retirada das sanções votadas em junho no Conselho de Segurança da ONU. As medidas, adotadas logo depois da assinatura de um acordo entre Turquia, Irã e Brasil para estocagem de urânio enriquecido em solo turco, preveem a inspeção em alto mar de navios iranianos, o congelamento de contas bancárias, e a interdição de vendas de armamentos. As sanções não prejudicaram a produção de energia nuclear, segundo uma declaração dada no último fim-de-semana pelo chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.

O negociador iraniano, Saad Jalili, insistiu neste sábado que, de acordo com o tratado de não-proliferação nuclear, o país pode realizar o ciclo de combustão e enriquecimento de urânio. O Irã é signátario do TNP, mas encontra maneiras de burlar as regras do Tratado. Jalili afirma que, se os países ocidentais reconhecerem esse direito, as discussões podem ser reiniciadas a qualquer momento. Mas diante de um novo fracasso das negociações, retomadas em dezembro, em Genebra, depois de 18 meses, as discussões voltaram à estaca zero. Um diplomata americano declarou, entretanto, que uma intervenção militar estaria, por enquanto, fora de questão, e ainda há margem de negociação, já que o Irã ainda precisará de tempo para obter material nuclear suficiente para fabricar uma bomba.

A chefe da diplomacia europeia e o negociador iraniano já haviam se reunido nesta sexta-feira, sem grandes avanços. Segundo um relatório da Federação dos Cientistas Americanos, a FAS, o Irã aumentou sua capacidade de produzir urânio em 2010, e poderá, em breve, fabricar uma bomba. Os cientistas estimam que num prazo de cinco meses a um ano, os iranianos teriam quantidade suficiente de urânio enriquecido para obter a arma nuclear. Mas o ministro israelense Moshe Yalon afirma que o país tem dificuldades tecnológicas e precisaria ainda de três anos para atingir o objetivo.
 

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