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Japão

Ameaça nuclear aumenta no Japão

Níveis de radiação aumentam após incêndio e explosão na central nuclear de Fukushima
Níveis de radiação aumentam após incêndio e explosão na central nuclear de Fukushima Digital Globe/Handout /Reuters
3 min

O risco de uma catástrofe nuclear aumentou nesta terça-feira, no Japão. Uma nova explosão ocorreu na Usina Fukushima Daiichi, ou Fukushima 1, na qual os reatores atômicos enfrentam problemas graves.

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Por Ricardo Souza, correspondente da RFI em Tóquio

A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio, operadora dos complexos de Fukushima, admitiu que barras de combustível do reator 2 ficaram totalmente expostas e começaram a derreter, o que aumenta o risco de vazamento radioativo. As barras são o formato no qual o urânio é moldado dentro do reator.

Houve explosões em dois outros reatores, no sábado e na segunda-feira; em ambos, a deflagração, devido ao escapamento de hidrogênio, danificou o prédio dos reatores, mas sem atingir o núcleo da instalação, informou o governo. Antes da explosão, as barras de combustível do reator nuclear 2 estavam totalmente expostas, segundo a operadora da usina. 

De acordo com a operadora, a exposição ocorreu porque o canal de ventilação do vapor produzido pelo aquecimento do reator foi acidentalmente fechado, causando uma nova e repentina queda do nível da água de resfriamento. Apesar da crise, Yukio Edano, porta-voz do governo japonês, disse que o trabalho feito para resfriar o reator pode estabilizar a situação e que o nível de radiação do complexo nuclear, que fica a 250 quilômetros de Tóquio, é tolerável para humanos. Para remediar o problema, desde domingo equipes de técnicos bombeiam água do mar para o reator.

O governo japonês reiterou os pedidos de ajuda para os EUA e a ONU. Enquanto isso, em diversas regiões nas cercanias do nordeste do Japão, atingido em cheio pelo desastre, cerca de 2,6 milhões de pessoas estão sem eletricidade, mais de três milhões não têm acesso a água potável, alimentos e óleo de cozinha, dentre outros artigos básicos .

Hoje, além da preocupação com as vítimas e a questão nuclear, o Japão também tenta evitar um terremoto econômico. O Banco Central do Japão anunciou na segunda-feira que vai injetar cerca de US$183 bilhões na economia para tranquilizar os investidores e investir US$61 bilhões para ajudar ativos de risco, reforçando assim a confiança do mercado abalada pela catástrofe.

O índice Nikkei da Bolsa de Valores de Tóquio registra queda acentuada desde segunda-feira. A destruição provocada pelo maior terremoto da história do Japão deve atrasar em seis meses a recuperação econômica do país, segundo previsão da Corretora de Valores Nomura, principal banco japonês de investimentos. A instituição previa uma retomada de crescimento no segundo trimestre de 2011, depois da queda de 1,3% no PIB no último trimestre de 2010, que fez o Japão perder o posto de segunda maior economia do mundo para a China. Mas agora a corretora estima que a recuperação só deve acontecer no final do ano.

 

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