Israel/Síria

Tensão e mortes na fronteira entre Síria e Israel

Manifestantes pró-palestinos carregam uma das vítimas por tiros disparados pelo exército isralense, neste domingo 05 de junho.
Manifestantes pró-palestinos carregam uma das vítimas por tiros disparados pelo exército isralense, neste domingo 05 de junho. Reuters

Pelo menos 6 pessoas morreram e outras 100 ficaram feridas neste domingo após tiros disparados pelo exército israelense contra manifestantes sírios e palestinos que tentaram ultrapassar a linha do cessar-fogo nas colinas do Golã, ocupadas por Israel. As informações são da agência oficial de notícias síria Sana. 

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Centenas de manifestantes, agitando bandeiras palestinas e sírias, tentaram ultrapassar as barreiras de arame farpado perto da cidade de Majdal Chams.

“Apesar de vários alertas, às vezes verbais e outras vezes com tiros de advertência, dezenas de sírios continuaram a se aproximar da fronteira e as forças israelenses não tiveram outra opção senão atirar contra os pés dos manifestantes para tentar dissuadí-los”, disse um porta-voz do exército israelense.

Segundo Yoav Mordechai, nenhum manifestante conseguiu cruzar a linha do cessar-fogo e a situação já estava sob controle à tarde.

Fontes militares também disseram que manifestantes tentaram invadir a linha do cessar-fogo em Kounteira, cerca de 20 quilômetros ao sul de Majdal Chams, onde segundo a televisão síria, três pessoas tinham morrido e nove outras ficaram feridas ao tentar escalar a barreira de arame farpado.

Há várias semanas o exército de Israel enviou reforços para o norte das colinas do Golã diante de eventuais infiltrações de manifestantes pró-palestinos.

No último dia 15 de maio, durante as comemorações da “Nakba” (catástrofe, em árabe), termo que marca o êxodo de milhares de palestinos após a criação do estado de Israel em 1948, manifestantes já haviam conseguido cruzar a fronteira nas proximidades de Majdal Chams, apesar dos alertas dos militares israelenses.

Histórico

Durante a Guerra dos 6 dias, em 1967, Israel conquistou a Península do Sinai, devolvida ao Egito em 1982, as colinas do Golã, na fronteira com a Síria, a Cisjordânia e a parte leste de Jerusalém, anexada ao país, e também a Faixa de Gaza, onde mantém um bloqueio apesar da retirada do território palestino em 2005.

As colinas do Golã têm uma importância estratégica tanto para os israelenses quanto para os sírios, principalmente pelas grandes reservas de água doce. A questão desse recurso natural foi uma das principais causas do conflito israelo-sírio que resultou na Guerra dos 6 dias.

Em 9 de junho de 1967, Israel conquistou uma parte do planalto de Golã de onde o exército sírio atacava as forças israelenses. O estado judeu ampliou a conquista com a inclusão de uma área de 510 Km2 das colinas durante a guerra de outubro de 1973. A área foi restituída no ano seguinte juntamente com um outra pequena parte do território ocupado em 1967.

O acordo de 1974 criou uma “área tampão” desmilitarizada, e prevê que na  margem de cada fronteira o uso de armamento é ilimitado. Desde então, uma força da ONU observa o respeito pelo acordo de ambas partes.

Em 1981, Israel anexou cerca de 1.200 km2 das colinas do Golã, que também faz fronteira com o Líbano e a Jordânia, mas essa conquista nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.
 

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