Líbia/ Otan

Enviado russo à Líbia sugere mediação

Mustafa Abdeljalil, presidente do Conselho Nacional de Transição, receberá enviado russo.
Mustafa Abdeljalil, presidente do Conselho Nacional de Transição, receberá enviado russo. REUTERS/Mohammed Salem

O primeiro enviado especial do governo russo à região ocupada por rebeldes líbios, Mikhaïl Marguelov, chegou hoje a Benghazi, onde se colocou como um possível intermediário entre o governo líbio de Muammar Kadafi e os líderes insurgentes.

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“Chegamos a Benghazi para facilitar o diálogo entre os dois campos. A Rússia está em uma posição única, pois mantém a sua embaixada em Trípoli e veio encontrar a rebelião hoje”, disse Marguelov. Ele indicou que está disposto a visitar a capital.

O representante russo para a África vai se encontrar com o presidente do Conselho Nacional de Transição, Moustapha Abdeljalil, o número 2 dos insurgentes, Mahmoud Jibril, e o ministro da Defesa em Bengazi, Omar El-Hariri. Há 10 dias, o presidente Dimitri Medvedev pediu para que o ditador Muammar Kadafi deixasse o poder, mesmo se o país se absteve de votar a resolução da ONU autorizando a intervenção militar na Líbia.

Já o ministro líbio das Relações Exteriores, Abdelati Obeidi, chegou hoje em Pequim, no mesmo momento em que a China dá sinais de querer ter um papel mais ativo no conflito civil na Líbia. Ele será recebido pelo ministro chinês das Relações Exteriores, Yang Jiechi. Ontem, um diplomata chinês encontrou-se com os líderes rebeldes de Benghazi.

Otan deseja mais envolvimento de aliados
O engajamento da Rússia e a China no conflito líbio aumenta a pressão para que Kadafi deixe a presidência do país. Amanhã, em Bruxelas, a Otan vai pedir aos ministros da Defesa dos membros da organização militar para que amplifiquem os esforços para acabar com o regime do tirano e preparem um plano para a Líbia pós-Kadafi. Nesta manhã, ao menos oito explosões eclodiram no centro de Trípoli, formando duas grossas colunas de fumaça sobre a residência de Kadafi e uma caserna em frente à casa do ditador.

Desde março, a Otan comanda a operação militar contra alvos estratégicos do ditador, que enfraqueceu a capacidade bélica de Kadafi de enfrentar a revolução popular. Pelo menos 50% dos centros de comando do governo líbio foram destruídos, de acordo com a Aliança Atlântica.

Na segunda-feira, o secretário-geral do órgão, Anders Fogh Rasmussen, disse que “a questão não é de saber se Kadafi vai deixar o poder, mas sim quando”. Rasmussen estima que a ONU, a União Européia e a União Africana terão a legitimidade de manter a paz na Líbia após a saída do ditador e consequente cessar-fogo no país. Ele ressalvou que a Otan poderia participar deste processo para garantir a paz para a população civil.

 

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