Líbano/política

Hezbollah e aliados têm maioria no novo governo do Líbano

O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, anunciou a formação de um novo gabinete
O primeiro-ministro do Líbano, Najib Mikati, anunciou a formação de um novo gabinete Reuters

Após cinco meses de intensas negociações e disputas políticas, o primeiro-ministro designado do Líbano, o milionário sunita Najib Mikati, anunciou nesta segunda-feira a formação do novo governo do país. A maioria dos 30 ministros faz parte dos grupos aliados ao movimento xiita libanês Hezbollah.

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A chegada ao poder do premiê Najib Mikati foi possível graças ao apoio de uma coalizão liderada pelo Hezbollah, que conseguiu indicar 19 nomes para o novo gabinete, junto com seus aliados, principalmente o cristão Michel Aoun. Os outros 11 ministros foram indicados pelos partidários do presidente da República, Michel Sleimane, de Mikati e do líder druzo Walid Joumblatt, considerados como "neutros". A nova formação sofreu boicote do campo do ex-primeiro-ministro Saad Hariri.

Uma das primeiras reações nesta segunda-feira foi a do presidente da Síria, Bachar al-Assad, que felicitou Mikati pelo novo governo. Além da Síria, o Irã também apoia o Hezbollah. Do lado contrário, os Estados Unidos consideram o Hezbollah como uma organização terrorista.

O anúncio da nova formação política foi feito após uma reunião no Palácio Presidencial de Baabda entre o presidente, o primeiro-ministro e o chefe do Parlamento, Nabih Berri.

"Ultrapassamos os obstáculos e vamos começar a trabalhar imediatamente. Que vocês estejam no poder ou na oposição, este é um governo para todos", afirmou Mikati, que foi designado primeiro-ministro do Líbano no dia 25 de janeiro, após a queda do Executivo liderado por Saad Hariri, que era apoiado pelo Ocidente.

O estopim da crise foi a instauração do Tribunal Especial para o Líbano (TSL), com apoio da ONU, que deve identificar e julgar responsáveis pelo assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, pai de Saad Hariri, em 2005. Com isso, em 12 de janeiro, o partido xiita do Hezbollah, que possivelmente será acusado pelo tribunal, retirou seus ministros do governo de união.

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