Vulcão/Espaço Aéreo

Depois do Puyehue no Chile, outro vulcão perturba o céu africano

Além da América Latina, aeroportos da Austrália e da Nova Zelândia tiveram o tráfego perturbado pelo vulcão chileno.
Além da América Latina, aeroportos da Austrália e da Nova Zelândia tiveram o tráfego perturbado pelo vulcão chileno. Reuters

As cinzas vulcânicas do Puyehue continuam perturbando o tráfego aéreo na América do Sul e na Oceania. Na Argentina, a reabertura dos aeroportos foi adiada para, no mínimo, a tarde desta terça-feira. Enquanto isso, um novo vulcão na Eritreia entrou em erupção, atrapalhando a aviação no continente africano.

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Na Argentina, uma mudança inesperada nos ventos impediu a reabertura dos aeroportos de Buenos Aires na noite desta segunda-feira, após 24 horas consecutivas de cancelamentos de voos por causa das cinzas do vulcão chileno Puyehue. Conforme as autoridades aeroportuárias da Argentina, o espaço aéreo permanecerá fechado até o meio dia de terça-feira.

No início da noite de ontem, a Administração da Aviação Civil Argentina (Anac) havia informado que os aeroportos da capital portenha retomariam suas atividades.

Os aeroportos argentinos estavam fechados desde a noite de domingo e impediram a viagem de milhares de pessoas. De passagem pela Argentina, até o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ficou bloqueado em uma estrada sem poder embarcar. A presidente do país, Cristina Kirchner, se desculpou pelo incidente. “Em plena nuvem de cinzas do vulcão chileno, no dia de seu aniversário, o senhor teve que tomar o café da manhã com alfajores em um posto de gasolina em Rosário. Queira nos desculpar”, declarou a chefe de Estado. Na outra margem do Pacífico, as companhias aéreas australianas e neozelandesas anularam cerca de 200 voos, atrapalhando a viagem de pelo menos 60 mil passageiros.

Dubbi perturba na África

O vulcão Dubbi entrou em erupção na noite de domingo na Eritreia e nesta segunda-feira criou uma nuvem e cinzas que já chega a 15 km de altitude. O fenômeno já começou a perturbar o céu na região, apesar do tráfego aéreo menos denso naquela parte do mundo.

O vulcão, com 1.625 metros de altitude, está situado no sul da Eritreia, pequeno país no leste da África, próximo fronteira com a Etiópia, que também sofre as consequências da erupção. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em viagem oficial pelo continente africano e de passagem pelo país, encurtou a última etapa do giro diplomático em razão das cinzas vulcânicas que se aproximavam de Addis Abeba, a capital etíope. “Eu esperava ter mais tempo para discutir com vocês, mas estou sendo expulsa pelo vulcão”, disse a representante da Casa Branca antes de embarcar. A companhia aérea alemã Lufthansa anulou alguns de seus voos com destino à região.

Segundo dados do Museu de História Natural de Washington, essa é a primeira erupção no continente africano desde 1861. “O vulcão continua em atividade e a nuvem está atravessando a Etiópia, a Eritréia, o Sudão e em breve o Egito”, alertou Kassim Mohamed Kassim, do Observatório de Geofísica de Arta, em Djibuti. O receio agora é de que a nuvem chegue ao Egito e Israel, onde, em razão do tráfego aéreo denso, pode causar transtornos bem mais importantes.

 

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