Líbia/ insurgentes

Pelo menos 21 rebeldes morrem em conflitos na Líbia

O chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, reconheceu o governo rebelde na Líbia.
O chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, reconheceu o governo rebelde na Líbia. Reuters

Os rebeldes líbios anunciaram que sofreram importantes derrotas nesta terça-feira, um dia depois de Washington pedir à África para que pressione pela saída do ditador Muammar Kadafi do poder. Na segunda-feira, combates em Ajdabya e Brega, no leste do país, deixaram pelo menos 21 insurgentes mortos.

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“Nossos homens foram enganados. Os soldados de Kadafi fingiram se render, chegaram com uma bandeira branca, e depois começaram a atirar”, contou um comandante rebelde à agência AFP.

Cerca de 20 insurgentes ficaram feridos e foram levados ao hospital de Ajdabya. Os apoiadores do regime também bombardearam uma refinaria de Misrata, perturbando o abastecimento de combustível dos rebeldes, que seguem na tentativa de reconquistar a cidade de Ziltan, no oeste. Os insurgentes explicaram, entretanto, que não querem um combate armado pela cidade para não perder o apoio de líderes tribais – o objetivo é convencê-los a se rebelar contra o regime de Kadafi.

Há três dias, a operação militar comandada pela Otan tem poupado a capital, Trípoli, mas continua visando alvos estratégicos do ditador no resto do país, principalmente em Misrata e Zilten. A Grã-Bretanha, que participa da operação, disse hoje que poderá reorientar suas estratégias de ação na Líbia se o conflito durar mais do que seis meses. O chefe da Royal Navy, almirante Mark Stanhope, afirmou que a investida seria “menos custosa” e “mais reativa” se os britânicos pudessem utilizar um porta-aviões na região. Oito dos 28 países-membros da Otan estão participando com material bélico à operação para proteger a população civil líbia, iniciada em março.

Benghazi ganha apoio

Apesar das perdas em campo, o regime continua acumulando fracassos no plano diplomático. Ontem, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, solicitou aos países africanos que fechem suas embaixadas na Líbia e expulsem os diplomatas pró-Kadafi de seus países. “Peço a todos os Estados africanos a pressionar para a implantação de um verdadeiro cessar-fogo e a pedir que Kadafi deixe o poder”, afirmou Clinton.

Nesta terça-feira, o ministro líbio das Relações Exteriores qualificou de “irresponsável” e de “violação da soberania nacional” líbia a visita realizada ontem pelo chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, a Benghazi, sede do governo rebelde instalado a leste de Trípoli. Berlim reconheceu ontem o Conselho Nacional de Transição, dirigido pelos opositores do regime, como “o representante legítimo do povo líbio”. A Alemanha é o 13º país a reconhecer o governo provisório de Benghazi.

Conforme a ONU, o conflito na Líbia já provocou entre 10 e 15 mil mortes e a fuga de 952 mil pessoas do país.
 

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