Síria/ violência

ONU visita campo de refugiados sírios na Turquia

Soldados turcos patrulham o entorno de campo de refugiados sírios.
Soldados turcos patrulham o entorno de campo de refugiados sírios. Reuters

Membros das Nações Unidas vão avaliar situação em que os refugiados sírios estão sendo recebidos na vizinha Turquia. Pelo menos 8,5 mil sírios já deixaram seu país fugindo da repressão do governo. Enquanto isso, potências do Conselho de Segurança seguem na tentativa de convencer emergentes sobre resolução condenando a violência do regime do presidente Bachar al-Assad.

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Especialistas da ONU chegaram hoje ao campo de refugiados sírios na fronteira com a Turquia para colher depoimentos sobre a repressão do regime de Bashar al-Assad. Paralelamente, um representante do governo sírio será recebido hoje pelo primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan, que exige o fim da violência no país vizinho, temendo uma situação de forte instabilidade na fronteira.

Nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, vai visitar um dos principais campos de refugiados sírios, em Hatay, para verificar as condições em que os vizinhos estão sendo recebidos. Ontem, Erdogan conversou com al-Assad por telefone e pediu para que estabelecesse um calendário de reformas e parasse de reprimir os protestos populares. Organizações não-governamentais estimam que 1,2 mil pessoas já foram mortas desde o início das revoltas e outras 10 mil estão presas pelo regime.

A atriz americana Angelina Jolie, embaixadora da Boa Vontade da ONU para Refugiados, pediu autorização ao governo turco para visitar o acampamento, onde já chegaram 8.500 sírios fugindo da repressão. A votação de um projeto de resolução condenando a violência do regime no Conselho de Segurança fica cada vez mais remota, sobretudo face à resistência dos países emergentes. Rússia e China ameaçam vetar o texto. Brasil, Índia e África do Sul, membros não permanentes do Conselho, apresentaram restrições ao documento proposto por quatro países europeus liderados pela França e o Reino Unido.

Emergentes bloqueiam resolução

Co-autora do projeto de resolução ao lado do Reino Unido, ontem a França disse que só vai propor o texto à votação quando tiver certeza de que conta com o apoio da maioria dos países do Conselho de Segurança, inclusive alguns dos emergentes de peso. Dos 15 países com direito a voto, são necessários no mínimo nove para a aprovação de uma resolução, desde que não haja veto de qualquer um dos cinco membros permanentes.

“Nós não tomaremos o risco”, afirmou o chanceler francês, Alain Juppé. “Hoje, nós temos nove votos no Conselho de Segurança. Nos falta convencer a África do Sul, a Índia e o Brasil, e nós nos engajamos (nisso) dia após dia.” O ministro explicou que, se os franceses conseguirem o apoio destes países, vai levar o projeto à votação, apesar da tendência pelo veto já anunciada pela China e a Rússia.

 

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