Tunísia/Processo Ben Ali

Ex-presidente da Tunísia é condenado a 35 anos de prisão

O ex-presidente da Tunísia, Ben Ali, acompanhado de sua esposa, Leïla Trabelsi em um evento em 2006.
O ex-presidente da Tunísia, Ben Ali, acompanhado de sua esposa, Leïla Trabelsi em um evento em 2006. AFP

O ex-presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, e sua esposa, Leïla Trabelsi, foram condenados nesta segunda-feira a 35 anos de prisão e mais de 100 milhões de reais de multas por desvio de dinheiro público. O ex-líder tunisiano, expulso do poder após 23 anos à frente do país, está refugiado na Arábia Saudita.

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O ex-presidente da Tunísia foi condenado à revelia nesta segunda-feira a 35 anos de prisão por desvio de dinheiro público. Segundo o presidente da corte tunisiana, “as penas de privação de liberdade têm efeito imediato”, o que significa que Zine El Abidine Ben Ali e sua esposa Leïla Trabelsi podem ser presos à qualquer momento.

O casal presidencial também foi condenado a pagar 45 milhões de euros de multas (cerca de 102 milhões de reais). A pena é considerada simbólica, já que os acusados continuam refugiados na Arábia Saudita desde 14 de janeiro, quando tiveram que fugir do país em meio à revolta popular pró-democracia que resultou na queda do regime de Ben Ali.

O anúncio da condenação foi feito no primeiro dia do processo, pouco depois da justiça ter recebido uma mensagem do ex-presidente, que tentou dar sua versão dos fatos. Por meio de seu advogado, Ben Ali afirmou nunca ter ordenado que tiros fossem disparados contra os manifestantes durante os protestos. O ex-presidente também diz ter sido vítima de um complô liderado pelo chefe da segurança nacional, que o incitou a deixar o país. "Ali el Siriati insistiu em acompanhar minha família a Jidá, na Arábia Saudita, por algumas horas para que os serviços de segurança pudessem liquidar com o complô e garantir minha sergurança", explicou o ex-presidente.

Ben Ali dirigiu a Tunísia durante 23 anos. Ele é acusado de desvio de dinheiro, detenção de armas e drogas, além da responsabilidade na morte das cerca de 300 pessoas assassinadas durante os protestos em janeiro. A segunda etapa do processo deve acontecer em 30 de junho.
 

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