Afeganistão/ EUA

Clinton defende negociação com talibãs para fim da guerra

A secretária de Estado Hillary Clinton em Washington, nesta quinta-feira.
A secretária de Estado Hillary Clinton em Washington, nesta quinta-feira. Reuters

Os conflitos internos no Afeganistão podem ser resolvidos por negociações, defendeu hoje a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, um dia depois de o presidente Barack Obama ter anunciado a retirada de um terço das tropas dos Estados Unidos do país até meados de 2012.

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Clinton confirmou que Washington mantém contato com lideranças talibãs para tratar sobre o futuro do Afeganistão e favorecer uma transição à paz, quase dez anos após o início da guerra contra o terrorismo que resultou na invasão pelos americanos e seus aliados.

“Nós achamos que uma solução política é possível. Os Estados Unidos têm diversos contatos, em diferentes níveis, no Afeganistão e na região, inclusive relações muito preliminares com membros dos talibãs”, disse a secretária de Estado, diante de uma comissão de senadores, em Washington.

Clinton ponderou, entretanto, que o diálogo com a milícia islâmica não era uma “atividade prazerosa”. No domingo, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, já havia indicado a existência dos contatos entre os americanos e os talibãs, um dia depois de o presidente afegão revelar que o processo de diálogo havia se iniciado.

Em visita ao Paquistão, o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, disse que os britânicos estavam envolvidos nestes contatos, que têm por objetivo uma discussão de paz. “Há contatos, mas se trata de um processo comandado pelos afegãos, e a Grã-Bretanha vai assisti-lo e facilitá-lo”, comentou, em uma coletiva de imprensa na capital, Islamabad. “O Reino Unido está envolvido e apoia (a iniciativa).”

Oficialmente, os talibãs continuam negando qualquer negociação de paz enquanto os cerca de 140 mil soldados estrangeiros permanecerem no Afeganistão. Obama disse ontem que 33 mil soldados americanos deverão deixar o país no ano que vem, em conseqüência da morte do líder terrorista Osama Bin Laden e do enfraquecimento da rede Al Qaeda.

Para os talibãs, o anúncio é “simbólico” e “a solução para a crise afegã depende de uma retirada completa de todos os soldados estrangeiros” do país.
 

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