Ruanda/Justiça

Ex-ministra de Ruanda é condenada por genocídio de tutsis

A ex-ministra ruandesa Pauline Nyimarasuhuko.
A ex-ministra ruandesa Pauline Nyimarasuhuko. DR

Pela primeira vez na história, uma mulher é condenada por crime de genocídio. O Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) condenou hoje à prisão perpétua a ex-ministra da Família Pauline Nyiramasuhuko, de 65 anos, acusada pela morte de cerca de 800 mil pessoas no conflito étnico que opôs os hutus à minoria tutsi, na década de 90, em Ruanda.

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O TPIR, sediado em Arusha, no norte da Tanzânia, foi criado para julgar os principais responsáveis pelo genocídio da minoria tutsi orquestrado regime extremista hutu, no poder em Ruanda em 1994. Além da ex-ministra, o tribunal também condenou o filho dela, Arsene Shalom Ntahobali, à prisão perpétua e concedeu penas rigorosas, de 25 a 35 anos de prisão, contra mais quatro acusados de genocídio e crimes contra a humanidade que eram julgados no mesmo processo. Os advogados de defesa haviam pedido a absolvição.

O tribunal reconheceu a culpa da ex-ministra da Família em sete das onze acusações apresentadas contra ela, entre elas os crimes de genocídio, exterminação e estupro, também consderados crimes contra a humanidade. 

O procurador de Ruanda, Martin Ngoga, disse que as sentenças representam um alívio para os sobreviventes dos massacres, que aguardavam pelas condenações há vários anos. Pauline Nyiramasuhuko era julgada no TPIR desde junho de 2001, depois de ter sido detida no Kênia em julho de 1997. A associação de familiares das vítimas do genocídio ruandês Ibuka também demonstrou satisfação com o anúncio das sentenças.

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