França/Líbia

França vai desbloquear 1,5 bilhão de euros para os rebeldes líbios

O ministro da defesa, Alain Juppé, anunciou a ajuda finaceira aos representantes dos rebeldes líbios.
O ministro da defesa, Alain Juppé, anunciou a ajuda finaceira aos representantes dos rebeldes líbios. Reuters
Texto por: RFI
4 min

O chefe da diplomacia francesa anunciou que Paris vai desbloquear 1,5 bilhões de euros para o Conselho Nacional de Transição (CNT), instituição política que representa os rebeldes na Líbia. O anúncio é feito no mesmo dia em que representantes de cerca de 60 países se reúnem na França em uma conferência organizada pelo primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente francês Nicolas Sarkozy, para discutir a situação líbia.

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O chanceler francês, Alain Juppé, anunciou que a França obteve autorização para desbloquear 1,5 bilhão de euros de fundos da Líbia, retidos em bancos franceses, para repassar aos rebeldes e ajudá-los a financiar a reconstrução do país. Só na França, o ditador Muammar Kadafi teria acumulado 7,5 bilhões de euros.

Em reconhecimento ao apoio de Paris, o CNT prometeu atribuir 35% da exploração de petróleo bruto da Líbia a companhias petrolíferas francesas. A informação foi divulgada pelo jornal Libération, que reproduz em sua edição de hoje uma carta sobre o acordo. O documento, escrito em árabe, foi enviado ao governo do Catar com cópia para o secretário-geral da Liga Árabe.

O desbloqueio urgente de ativos que foram congelados pelo Conselho de Segurança da ONU para sancionar Kadafi é o principal tema da conferência de países amigos da Líbia que se realiza hoje na capital francesa. A reunião, que começa às 17h (horário de Paris) no palácio do Eliseu, sede da presidência, é organizada pelo primeiro-ministro britânico David Cameron e o presidente francês Nicolas Sarkozy, líderes da intervenção militar na Líbia. Desde o início da crise líbia, a França e a Grã-Bretanha defenderam a intervenção da OTAN, que culminou na queda de Kadafi.

Durante a conferência, os líderes mundiais deverão discutir a transição do poder na Líbia e maneiras de ajudar financeiramente os rebeldes. A expectativa é que sejam liberados 175 bilhões de dólares. A questão da segurança no país, o desarmamento dos insurgentes, e a organização de futuras eleições também estarão no centro das discussões.

A reunião ainda terá a participação da secretária de estado-americana, Hillary Clinton, e da chanceler alemã Angela Merkel. A China e o Brasil, que ainda não reconhecem o CNT (Conselho Nacional de Transição) como representante legítimo do povo líbio, também foram convidados para o encontro. O governo brasileiro deverá enviar o embaixador no Egito, Cesário Melantonio Neto, para representar o país no encontro. Brasil e Líbia nutriam fortes relações na era de Kadafi, já que a Líbia é um grande importador de produtos agrícolas.

Rússia reconhece o CNT

Na manhã de hoje, a Rússia, que se absteve como o Brasil e a China de aprovar a intervenção militar, reconheceu o Conselho Nacional de Transição líbio, o órgão representativo dos rebeles, como único interlocutor legítimo do poder na Líbia. Já a Argélia, que já acolheu a mulher e três filhos de Kadafi, negou que pretenda dar asilo ao ditador, e promete reconhecer o CNT desde que um novo governo seja formado.

 

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