Egito/ Violência

Protestos no Egito deixam 2 mortos e mais de 600 feridos

Manifestantes contra o governo egípcio protestam no Cairo, perto no Ministério do Interior.
Manifestantes contra o governo egípcio protestam no Cairo, perto no Ministério do Interior. REUTERS/Asmaa Waguih

Em reação à morte de 74 pessoas no Estádio de Port Said durante uma partida de futebol, egípcios saíram às ruas nesta quinta-feira para protestar contra o governo e a violência deixou duas pessoas mortas e mais de 600 feridas. O confronto se transformou em crise política no governo transitório e manifestações ainda maiores estão convocadas para esta sexta-feira.

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O primeiro-ministro egípcio, Kamal al-Ganzouri, afastou os diretores da Federação Egípcia de Futebol e o governador de Port Said pelo massacre no estádio ocorrido na noite desta quarta-feira, mas as demissões não acalmaram a fúria dos manifestantes.

Nesta quinta-feira, milhares de egípcios tentaram cercar a sede do Ministério do Interior, no Cairo. Eles gritavam "os militares sabem proteger um ministério, mas não conseguem proteger um estádio" e “o povo quer a execução do marechal Tantaoui" (o homem forte do governo, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas e ex-ministro da Defesa de Hosni Mubarak, deposto no ano passado).

Polícia tenta dispersar manifestantes com gás lacrimogêneo

Em Suez, testemunhas dizem que a polícia tentou evitar a invasão de um prédio da segurança municipal lançando bombas de gás lacrimogêneo. Sem resultado, policiais acabaram atirando contra a população revoltada. A versão da polícia é que os manifestantes estavam armados.

A Irmandade Muçulmana, primeira força política no Parlamento egípcio, estima que a revolução está em perigo. Os deputados islâmicos culpam as Forças Armadas e partidários do antigo regime por conspiração, mas não chegaram a pedir a queda do governo.

Novas manifestações estão previstas para esta sexta-feira. Uma coalizão de 28 organizações pró-democracia convocou os moradores do Cairo a se unir aos manifestantes em passeata até o Parlamento, após a reza muçulmana semanal de sexta-feira, para exigir o fim do poder militar.

 

Lima, Peru - 23 de maio de 1964: 320 mortos e mil feridos durante o jogo Peru X Argentina, no estádio nacional de Lima. Como os portões do estádio estavam fechados, os torcedores não conseguiram escapar a tempo após uma grande debandada nas tribunas.

Glasgow, Escócia - 2 de janeiro de 1971: 66 mortos durante o clássico Rangers X Celtic. A tragédia ocorreu, como em Lima, devido a uma grande debandada na área das tribunas.

Cairo, Egito - 17 de fevereiro de 1974: 48 mortos e 47 feridos depois da entrada de um público de 80 mil pessoas num estádio que comportava apenas 40 mil torcedores.

Bradford, Inglaterra - 11 de maio de 1985: 56 mortos em um incêndio na tribuna principal, toda de madeira, durante o jogo Bradford X Lincoln City.

Bruxelas, Bélgica - 29 de maio de 1985 : 39 mortos no estádio Heysel, antes do encontro entre Liverpool e Juventus. Tragédia causada pela presença de hooligans ingleses que invadiram uma tribuna onde se encontravam diversos torcedores do Juventus. As grades de separação e um muro foram derrubados durante o conflito.

Sheffield, Inglaterra - 15 de abril de 1989 : 96 torcedores do Liverpool morrem durante uma debandada na tribuna do estádio de Hillsborough.

Orkney,  África do Sul - 13 de janeiro de 1991: 40 mortes ocorridas durante o jogo Orlando Pirates X Kaizer Chiefs depois da anulação de um gol pelo juiz.

Bastia, França - 5 de maio de 1992: 18 mortos e mais de 2300 feridos quando uma tribuna construída sem regras adequadas de segurança desaba.

Johannesburg, África do Sul - 11 de abril de 2001: 43 mortos durante uma grande debandada no estádio Ellis Park quando milhares de torcedores sem ingresso forçam a entrada no local que já estava completamente lotado.

Accra, Ghana - 10 de maio de 2001: 126 mortos ao fim da disputa entre Oaks e Kumasi, quando os trocedores deste último, insatisfeitos com a derrota de seu time, começam a jogar projéteis e quebrar assentos. A polícia interveio com bombas de gás lacrimogêneo. Tentando fugir, os torcedores encontram os portões fechados.

Butembo, República Democrática do Congo - 14 de setembro de 2008 : 13 mortos após uma debandada ocorrida depois de uma intervenção policial.

Abidjan, Costa do Marfim - 29 de março de 2009 : 19 mortos e 135 feridos depois que torcedores insatisfeitos por não terem conseguido entrar no estádio derrubam um portão de acesso a uma tribuna durante um jogo entre Costa do Marfim e Malawi.

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