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Irã/nuclear

Sob pressão, Irã propõe retomada do diálogo sobre programa nuclear

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad durante a cerimônia de inauguração dos novos projetos nucleares iranianos nesta quarta-feira.
O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad durante a cerimônia de inauguração dos novos projetos nucleares iranianos nesta quarta-feira. Reuters / President.ir
Texto por: Taíssa Stivanin
4 min

Um dia depois de anunciar ter produzido com sucesso urânio enriquecido a 20%, o Irã declarou nesta quinta-feira estar disposto a retomar o diálogo com o chamado grupo dos cinco (EUA, China, Rússia, França, Reino Unido) mais a Alemanha a respeito de seu programa nuclear. Na carta consultada pela imprensa, o país reafirma que suas intenções são pacíficas e propõe uma cooperação internacional.

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O Irã tem enfrentado sérias dificuldades financeiras desde a adoção das últimas sanções contra o país. Uma situação que tende a piorar com o embargo das exportações petrolíferas, a partir de julho. Na carta que deverá ser enviada à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, o negociador iraniano na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), Saïd Jalili, disse esperar "uma atitude construtiva em relação às iniciativas da República Islâmica que poderia abrir uma nova perspectiva para nossa negociação."

O negociador ainda garante que o Irã está aberto ao diálogo em questões variadas. A carta é uma resposta a uma outra correspondência enviada pela representante da União Europeia em outubro, propondo a retomada das negociações, "e etapas concretas e práticas para reestabeler a confiança no programa iraniano." Mas desde a divulgação do último relatório da AIEA (Agência Internacional da Energia Atômica), em novembro, as discussões entre os países ocidentais e o regime de Mahmoud Ahmadinejad estão totalmente bloqueadas.

Acordo de Teerã ainda é válido, diz embaixador brasileiro

Os iranianos recusaram todas as ofertas da comunidade internacional propondo a troca de urânio enriquecido. Mesmo o acordo de Teerã firmado com o Brasil e Turquia em maio de 2010, não foi levado adiante pelo regime, e em junho o Conselho de Segurança da ONU adotou uma série de sanções contra o país. Nesta quarta-feira, em entrevista à imprensa brasileira, o enviado da presidente Dilma Rousseff ao Oriente Médio, Cesário Melantônio Neto, indicou que os termos do acordo continuam válidos, mas a oferta feita ao Irã, que propunha estocar o urânio na Turquia, seria reformulada.

O anúncio desta quinta-feira, e o relance das negociações, mais do que um esforço de negociação, evidencia a ambiguidade do governo iraniano. Nesta quarta-feira, o Irã anunciou ter produzido com sucesso seu próprio combustível enriquecido a 20% para seu reator de pesquisa, mesmo que muitos especialistas afirmem que o país não tenha a tecnologia necessária para levar o projeto adiante. O presidente Ahmadinejad também declarou que o Irã tinha aumentado em 50% o número de centrífugas de primeira geração, que passou de 6.000 para 9.000, e afirmou que os cientistas iranianos tinham fabricado uma nova centrífuga de quarta geração.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que as sanções econômicas e financeiras impostas ao Irã não deram resultado. Para ele, o Irã é a potência mais "irresponsável do planeta." A declaração acontece em um momento onde a comunidade internacional tenta se mobilizar para evitar um ataque ao país, que já chegou a ser cogitado publicamente pelas lideranças isralenses. A tensão aumentou depois do ataque às embaixadas de Israel na Índia, Tailândia e na Geórgia.
 

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