Irã/ Estados Unidos

Declaração de Ahmadinejad em reunião provoca saída de delegação americana

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (d), cumprimenta o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e o presidente do Tadjikistão (c), Imomali Rakhmon.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (d), cumprimenta o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, e o presidente do Tadjikistão (c), Imomali Rakhmon. REUTERS/Stringer

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu nesta segunda-feira aos Estados Unidos e Otan que retirem suas tropas do Afeganistão “o mais rápido possível”, durante um discurso em uma conferência sobre a segurança regional e a reconstrução do país, em Dushanbe. A declaração provocou a saída da delegação americana do encontro.

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"A Otan e os Estados Unidos devem mudar de política, pois a época em que podiam ditar suas condições ao mundo está superada. Queremos que as tropas estrangeiras deixem o Afeganistão o mais rápido possível", declarou Ahmadinejad. “A causa de todos os males no Afeganistão é a presença das forças da Otan no solo afegão, sobretudo as dos Estados Unidos”, disse.

A conferência na capital do Tadjiquistão conta com as presenças de autoridades dos países vizinhos do Afeganistão e de uma delegação americana, liderada pelo subsecretário de Estado, Robert Blake. O presidente afegão, Hamid Karzai, também estava no local. Enquanto o presidente iraniano falava, Blake convocou a delegação americana a abandonar o a sala. Eles retornaram ao local após o fim do discurso de Ahmadinejad.

A presença estrangeira no Afeganistão, iniciada em 2001 após os ataques de 11 de Setembro, deve se encerrar no final de 2014. “Nós queremos que a comunidade internacional nos ajude a estabelecer a serenidade e a estabilidade”, declarou Karzai.

Os encontros que contam com a participação de delegações iranianas e americanas são raros. Os dois países não mantêm relações diplomáticas desde 1979, quando aconteceu a Revolução Islâmica no Irã. As tensões entre os dois estão elevadas desde que Israel, aliado dos Estados Unidos, aumentou as ameaças de atacar o Irã devido ao seu controverso programa nuclear. Os ocidentais suspeitam que, ao invés de desenvolver um programa nuclear para uso civil, os iranianos estão na realidade fabricando uma bomba atômica.
 

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