Síria/Lakhdar Brahimi

Oposição síria exige desculpas de Lakhdar Brahimi, novo mediador internacional

Campo de refugiados sírios em Zaatari, perto da cidade de Mafrak, na Jordânia.
Campo de refugiados sírios em Zaatari, perto da cidade de Mafrak, na Jordânia. Nicolas Falez

O Conselho Nacional Sírio, principal grupo de oposição do país, exigiu neste domingo que o novo mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, peça desculpas por ter afirmado que era “prematuro demais pedir a saída de Bashar al-Assad”. O diplomata argelino confirmou na sexta-feira que substituirá o emissário Kofi Annan no fim do mês.

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A declaração do novo mediador para o conflito na Síria, que já deixou mais de 23 mil mortos, foi feita durante uma entrevista concedida à imprensa francesa, neste sábado. Preferindo manter a neutralidade, ele disse que ainda era 'cedo' para pedir a saída de Bashar al-Assad e precisava de mais informações antes de assumir uma posição oficial. Já Kofi Annan disse que o presidente sírio deveria deixar o poder ao assumir o cargo.

Em um comunicado divulgado neste domingo, o CNS (Conselho Nacional Sírio), afirma que Brahimi "menosprezou o sangue derramado pelo povo sírio." De acordo com o texto, "qualquer pessoa que dê a esse regime criminoso a ocasião de matar dezenas de milhares de sírios e de destruir o que sobra da Síria não quer reconhecer a amplitude da tragédia." Para o grupo da oposição, ‘’dar ao presidente sírio o tempo que ele precisa para destruir os fundamentos da sociedade síria vai contra à paz e o senso humanitário.’’ O CNS pediu que Brahimi, "que não consultou os sírios" para sua missão, peça desculpas à população.

Neste domingo, Brahimi tentou amenizar a polêmica e explicou ao canal al Djazira ter dito apenas que ainda era cedo para fazer declarações sobre "o conteúdo da sua missão" se referindo à Liga Árabe e às Nações Unidas. Depois de 17 meses de revolta, o diplomata argelino tem o desafio de obter uma saída para o conflito na Síria, que atinge proporções incontroláveis. Uma das principais dificuldades é obter o apoio do Conselho de Segurança da ONU, que permanece dividido. Os Estados Unidos, a França e a Grã-Bretanha não descartam uma intervenção militar, mas a China e a Rússia, aliadas do regime, já declararam que vão vetar qualquer operação, inclusive a criação de uma zona de exclusão aérea para proteger os rebeldes, como ocorreu na Líbia em 2011.

Os dois países defendem a aplicação do plano de paz da Liga Árabe e do acordo de Genebra, assinado em julho, que prevê, além do fim da violência, o diálogo entre a oposição e o regime. Os rebeldes recusam qualquer tipo de negociação com Bashar al-Assad. Neste domingo, pela primeira vez em um mês, o presidente sírio fez uma aparição pública, participando das orações para celebrar o fim do Ramadã, o jejum muçulmano.

O domingo também foi marcado pelo fim da missão dos observadores da ONU, que foram enviados ao país para fiscalizar a aplicação do cessar-fogo previsto do plano de Annan, que nunca ocorreu. Segundo a organização, apenas um escritório será mantido no país, com 30 especialistas políticos, autorizados pelo regime.

Em Aleppo, governo distribui folhetos pedindo a rendição dos rebeldes

Os combates em Aleppo continuaram intensos neste domingo. A cidade continua nas mãos dos rebeldes, que temem uma ofensiva terrestre do regime para retomar o controle da região. Pela primeira vez, segundo jornalistas que estão no local, os helicópteros das forças armadas distribuíram folhetos sobre a cidade oferecendo ‘uma última chance’ de rendição para os rebeldes, e alertando a população sobre qualquer tipo de apoio aos insurgentes. Logo em seguida, os helicópteros abriram fogo em diversos bairros do centro da cidade. Capital econômica do país, a vitória em Aleppo, segundo analistas, pode definir o desfecho do conflito.

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