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Coreia do Norte/ tensão

Xi Jinping adverte que "nenhum país" pode levar região ao caos

Presidente chinês, Xi Jinping, se pronunciou na abertura do Fórum Econômico de Boao, o "Davos asiático".
Presidente chinês, Xi Jinping, se pronunciou na abertura do Fórum Econômico de Boao, o "Davos asiático". REUTERS/Alexander F. Yuan
Texto por: RFI
3 min

A China adotou hoje uma postura mais enfática para acalmar as tensões entre a os Estados Unidos e as duas Coreias, após uma semana de ameaças crescentes por parte de Pyongyang. O presidente chinês, Xi Jinping, disse que “nenhum país” tem o direito de “levar a região ao caos”. Ao mesmo tempo, os americanos decidiram adiar um teste militar para não piorar o desgaste com os norte-coreanos.

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Xi Jinping não direcionou as críticas para um ou outro país - afirmou apenas que “ninguém deveria ser autorizado a levar a região ao caos e ainda mais o mundo inteiro, por egoísmo”. “Nós devemos agir de maneira coordenada para resolver as grandes dificuldades e garantir a estabilidade na Ásia”, conclamou, abordando as “ameaças tradicionais e não tradicionais”.

As declarações foram feitas diante de diversos chefes de Estado e de Governo que participam no Fórum Econômico Anual de Boao, na ilha de Hainan, além da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde. Xi pediu à comunidade internacional que defenda “uma visão por uma segurança global, comum e cooperativa”.

A Coreia do Norte, alegando reagir às sanções impostas pela ONU e os exercícios militares americanos e sul-coreanos, fez uma série de ameaças de uma guerra nuclear nas últimas semanas. Pyongyang também alertou que a segurança das embaixadas internacionais instaladas no país está garantida somente até a próxima quarta-feira – ameaça que hoje Berlim qualificou de “inaceitável”.

Teste com míssil cancelado

No sábado à noite, o governo dos Estados Unidos anunciou o adiamento de um teste de míssil balístico intercontinental, em uma tentativa de reduzir a tensão com a Coreia do Norte, que instalou dois mísseis na península coreana capazes de atingir o Japão e um território americano no Pacífico. Washington disse que, por enquanto, foi cancelado um teste do Minuteman 3, míssil balístico intercontinental de ogivas nucleares, que seria disparado na próxima semana da base aérea de Vandenberg, na Califórnia.

Segundo uma fonte do governo americano, o secretário da Defesa Chuck Hagel decidiu remarcar o teste até o mês que vem, devido a preocupações de que o lançamento "pudesse ser mal interpretado por alguns como uma intenção de exacerbar a crise atual com a Coreia do Norte". "Queremos evitar uma má interpretação ou manipulação", disse a fonte, antes de completar, no entanto, que Washington está decidido a testar seus mísseis balísticos intercontinentais "para garantir um arsenal nuclear seguro e eficaz".

Além disso, Seul e Washington anularam uma importante reunião prevista para 16 de abril entre o general Martin Dempsey, comandante do Estado-Maior Conjunto americano, e seu colega sul-coreano, o general Jung Seung-Jo. A agência Yonhap destacou que o Sul temia uma possível provocação norte-coreana na ausência do comandante das Forças Armadas.

O anúncio do Pentágono ocorre depois da informação de que Pyongyang tinha carregado dois mísseis de médio alcance em lançadores móveis e os escondeu em instalações subterrâneas da costa leste. Os mísseis, tipo Musudan, teriam um alcance de 3.000 quilômetros, com o que poderiam atingir qualquer alvo na Coreia do Sul e no Japão, e possivelmente as bases militares americanas situadas no Pacífico norte.

Apesar das ameaças, o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, afirmou neste domingo que a Coreia do Norte não deu sinais de deslocamento de tropas. "Não vimos um reposicionamento de tropas nem um deslocamento de forças terrestres", declarou Hague à BBC. "Por este motivo é importante permanecer tranquilos, mas também firmes e unidos", completou.
 

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