Oriente Médio

Síria promete retaliar Israel por bombardeios

Soldados israelenses atravessam nuvem de fumaça na linha de fogo entre Israel e Síria, nas Colinas de Golan, nesta segunda-feira, 6 de maio de 2013.
Soldados israelenses atravessam nuvem de fumaça na linha de fogo entre Israel e Síria, nas Colinas de Golan, nesta segunda-feira, 6 de maio de 2013. REUTERS/Baz Ratner

Nesta segunda-feira, a Síria ameaçou retaliar Israel pelos ataques aéreos que mataram ao menos 42 soldados sírios no último fim de semana, de acordo com dados do Observatório Sírio dos Direitos Humanos. A ONU e a Rússia (um dos poucos aliados de Bashar al-Assad) se disseram preocupados com as ofensivas de sexta e domingo contra alvos militares perto de Damasco e com as ameaças do Irã e Hezbollah libanês, também aliados do presidente sírio.

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De acordo com uma fonte diplomática em Beirute, o bombardeio do dia 5 visou um centro de pesquisas científicas em Jamraya, um depósito de munições e uma bateria anti-aérea. O outro tentou destruir armas russas a caminho do aeroporto de Damasco.

"A Síria responderá à agressão israelense, mas escolherá o momento para fazer isso. Pode ser que não seja imediatamente porque Israel está em estado de alerta", disse um alto dirigente sírio. "Vamos esperar, mas vamos responder". Na véspera, o regime anunciou pela televisão que esta agressão abria a porta a todo tipo de opções e que "mísseis estão prontos para destruir alvos precisos".

Diante da ameaça, Israel deslocou duas baterias antimísseis para o norte do território, ordenou o fechamento do espaço aéreo na região até a noite de segunda-feira e reforçou a segurança ao redor das embaixadas. Uma fonte próxima ao governo israelense garantiu que os ataques visavam depósitos de armas iranianas destinadas ao Hezbollah, enfatizando que seu país não permitira nenhuma remessa de armamentos ao movimento libanês, contra quem Israel está em guerra desde 2006.

Mas Teerã negou que teria armas nos depósitos e preveniu que os ataques provocarão "eventos graves na região, dos quais os Estados Unidos e o regime sionista não sairão vencedores".

Na tarde de segunda-feira, o presidente russo Vladimir Putin telefonou para o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu para discutir o conflito sírio, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Ele não forneceu mais detalhes sobre a conversa, mas um diplomata russo afirmou que "o agravamento do confronto armado aumenta consideravelmente o risco de surgirem novos focos de tensão", especialmente no Líbano.

Dizendo-se muito preocupado, o secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu que todas as partes envolvidas no conflito ajam de maneira responsável para "evitar uma escalada deste conflito, que já é devastador". A União Europeia também pediu calma e os Estados Unidos consideram "legítimo" que seu aliado israelense tente "se proteger contra o envio de armas sofisticadas a organizações terroristas como o Hezbollah".

Desde março de 2011, a Síria está mergulhada em uma guerra civil que já causou a morte de mais de 70 mil pessoas.

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