Síria/Nações Unidas

Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos pede ação imediata na Síria

Em quase dois anos, o conflito sírio deixou mais de 70 mil mortos e um milhão de refugiados, segundo a ONU.
Em quase dois anos, o conflito sírio deixou mais de 70 mil mortos e um milhão de refugiados, segundo a ONU. REUTERS/Muhammad Hamed

A comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta sexta-feira (10) que a comunidade internacional aja para colocar um fim à violência na Síria, depois da publicação de depoimentos de massacres cometidos recentemente pela forças sírias e seus aliados.

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"Tivemos acessos a depoimentos que devem incitar a comunidade internacional a agir e a encontrar uma solução para o conflito, assegurando que os responsáveis de violações graves de direitos humanos prestem contas pelos seus crimes", disse a comissária em um comunicado divulgado hoje. Ela se declarou 'horrorizada' com as informações, que indicam, diz, a existência de uma campanha envolvendo comunidades específicas que apoiariam a oposição. "Não podemos ficar indiferentes ao massacre de civis", disse.

A comissária ainda reiterou que o relatório indica que crimes de guerra ou crimes contra a humanidade foram cometidos, que justificariam uma iniciativa do Conselho de Segurança da ONU para acionar a Corte Penal Internacional. "O governo sírio e a oposição devem compreender que haverá consequências para os responsáveis por esses crimes", declarou. Ela também se disse satisfeita com o acordo concluído nesta semana entre a Rússia e os Estados Unidos, que propuseram uma conferência internacional para chegar a uma solução para a situação política na Síria.

A situação na região está mais tensa depois dos ataques aéreos israelenses, visando um carregamento de munição que seria entregue ao Hezbollah,  que deixaram 42 militares sírios mortos. O Hezbollah é um aliado fundamental do regime sírio, que tem multiplicado os ataques às regiões ocupadas pelos rebeldes. Nesta sexta-feira, as forças sírias pediram aos habitantes de Qousseir, na província central de Homs, que deixassem a cidade antes de uma ofensiva iminente ao lado dos combatentes do movimento libanês.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, pelo menos 62 pessoas morreram, entre elas 14 crianças, no ataque perpretado recentemente pelo regime ao bairro sunita de Banias, logo depois da morte de pelo menos 50 pessoas na cidade vizinha de Bayda. No total, a organização estima que mais de 70 mil pessoas já morreram desde o início do movimento de contestação, em 15 de março de 2011.
 

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