Israel/economia

Israel aprova medidas impopulares e diminui orçamento para segurança

O premiê israelense Benjamin Netanyahu (2° à esq.) durante reunião em seu gabinete nesta segunda-feira 13 de maio, em Jerusalém.
O premiê israelense Benjamin Netanyahu (2° à esq.) durante reunião em seu gabinete nesta segunda-feira 13 de maio, em Jerusalém. REUTERS/Uriel Sinai/Pool

Depois de semanas de discussões e em meio a protestos da população, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyhau, aprovou na madrugada desta terça-feira um impopular pacote econômico. As medidas incluem duros aumentos de impostos e diminuição de subsídios, além de um corte no orçamento de segurança de 3 bilhões de shekels, ou 840 milhões de dólares.

Publicidade

Daniela Kresch, correspondente da Radio França Internacional, de Tel Aviv,

Autoridades de segurança advertiram que um corte profundo demais afetaria a capacidade de defesa do estado judeu. E, como resultado do lobby dos generais, o corte foi menor do que queria o novo ministro das Finanças, o ex-jornalista Yair Lapid, que passa por um “prova de fogo” dois meses depois de assumir a pasta.

Pouco versado em economia, Lapid, a grande surpresa das eleições gerais de janeiro, se tornou ministro das Finanças por pressão de Netanyahu. Seu partido “Há futuro”, conquistou dezenove das 120 cadeiras do parlamento, surpreendendo o veterano primeiro-ministro, cujo partido, o Likud, só conseguiu vinte e uma.

Analistas dizem que, para enfraquecer Lapid, Netanyahu decidiu que ele cuidaria das Finanças, principalmente depois da revelação de que o país acumula um déficit de 39 bilhões de shekels, ou 11 bilhões de dólares.
O novo pacote econômico parece realmente estar corroendo a popularidade de Lapid.

Milhares de israelenses foram às ruas nos últimos dias para reclamar das medidas, que ainda precisam ser aprovadas pelo parlamento, no dia 10 de junho. Por coincidência ou não, Netanyahu tem viajado muito, em meio aos protestos. Ele estava na China quando o pacote foi anunciado e viajou de madrugada para Moscou, logo depois da aprovação no gabinete.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.