Síria/Conferência de Paz

Governo al-Assad aceita conferência de paz, diz Moscou

Soldado tunisiano envolvido na guerra contra Bashar al-Assad corre por rua devastada em Damasco
Soldado tunisiano envolvido na guerra contra Bashar al-Assad corre por rua devastada em Damasco Mazen Abu Mahmoud/Shaam News Network/Handout via Reuters

A Rússia informou nesta sexta-feira que o governo da Síria concordou em princípio em participar da conferência internacional proposta pelos Estados Unidos e a Rússia, a fim de negociar uma solução política à guerra civil que já matou 80 mil pessoas. A oposição síria, no entanto, ainda não confirmou se participará da conferência, prevista para o mês de junho, em Genebra.

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De acordo com o porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Alexandre Lukachevitch, a cúpula idealizada durante a visita do Secretário de Estado norte-americano John Kerry a Moscou pretende que "os próprios sírios cheguem a uma resolução para por fim a este conflito destrutivo para o país e para a região". Nesta sexta-feira, foi a vez do vice-ministro sírio das Relações Exteriores, Fayçal Moqdad, visitar a Rússia justamente para debater o tema.

A resposta positiva de Damasco mostra a influência dos aliados russos sobre o regime sírio. Desde o período soviético, Moscou é o maior fornecedor de armas para a Síria. Lukachevitch aproveitou para criticar a oposição a Bashar al-Assad: "novamente, condicionam (a participação) à saída do presidente Bashar al-Assad, à formação de um 'governo' sob a batuta da ONU. Tudo isso é feito para esvaziar de sentido a ideia da conferência", disse.

Ele também rechaçou a data de 10 de junho divulgada pela impensa internacional para o acontecimento da chamada "Genebra 2" - uma primeira reunião do gênero aconteceu em meados de 2012. "Não é sério estabelecer imediatamente uma data para a conferência sem saber claramente quem e sob quais prerrogativas falará em nome da oposição", afirmou.

"Mais clareza"
Reunida desde quinta-feira (23) em Istambul para debater sua participação na cúpula, a Coalizão Nacional de Oposição Síria chamou de "vago" o acordo entre Damasco e Moscou e disse precisar de "mais clareza" para se decidir. "Queremos ouvir esta declaração da boca do governo al-Assad", declarou o porta-voz do grupo, Louay Safi. "Queremos saber que eles tiveram intenção real de negociar a transição rumo a um governo democrático que preveja a aposentadoria de Bashar al-Assad".

Safi afirmou que "os russos já disseram que o governo sírio tinha uma equipe de negociadores. Mas não sabemos sob quais termos. Eles têm mandatos para negociar uma transição de boa fé ou não?" A oposição exige que Moscou garanta a renúncia de al-Assad e membros do governo envolvidos na repressão antes que qualquer solução política seja discutida. "Eles estão na contramão da história", disse Safi sobre o apoio russo ao regime de Damasco.

 

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