Síria/Conflito

Divisão da oposição síria compromete conferência sobre conflito

Louay al-Safi, porta-voz da Coalizão Nacional Síria (E), fala durante coletiva de imprensa, em Istambul, 26 de maio de 2013.
Louay al-Safi, porta-voz da Coalizão Nacional Síria (E), fala durante coletiva de imprensa, em Istambul, 26 de maio de 2013. REUTERS/Akin Celiktas

Enquanto os Estados Unidos e a Rússia negociam os termos da conferência sobre a Síria em Genebra, prevista para junho, a oposição síria se mostra cada vez mais dividida e com a Arábia Saudita e o Catar disputando a sua liderança. Reunidos em Istambul desde quarta-feira, a Coalizão Nacional Síria não consegue chegar a um acordo sobre o novo presidente e nem se participará da conferência em Genebra.

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Karina Hermesindo, correspondente da RFI em Abu Dhabi

Um dos principais objetivos da reunião da Coalizão Nacional Síria em Istambul era também aumentar a participação de outros membros da oposição. A Arábia Saudita e a França querem que grupos islâmicos mais moderados façam parte da Coalizão. Mas as negociações fracassaram e apenas 8 dos 22 novos membros propostos pela Arábia Saudita foram aceitos. O grupo islâmico Irmandade Muçulmana, apoiado pelo Catar, conseguiu barrar os grupos considerados moderados e aumentar mais ainda toda a tensão que vive a oposição síria atualmente.

Outra questão é o fato da Arábia Saudita querer assumir o controle da coalizão nacional, hoje sob o poder do Catar. E ela tem o apoio dos Estados Unidos e da Europa, que querem há um bom tempo que a Arábia Saudita tome a frente e organize a oposição síria.

Países que até então apoiavam o Catar, como a Françaa por exemplo, parecem agora tender também para o lado saudita. O motivo seria o fato da oposição síria estar cada vez mais dividida, envolvida em disputas internas que acabam afastando do foco principal que é o de criar um governo de transição. Os demais países do Golfo Pérsico ainda não se posicionaram formalmente, mas especulações apontam que apenas o Kuwait apoia o Catar.

A Coalizão Nacional Síria também não foi capaz de eleger o novo presidente e nem de decidir se participa da conferencia sobre a Síria em Genebra. O encontro em Istambul foi estendido por mais dois dias e os Estados Unidos já advertiram que se a oposição não participar da conferência em Genebra ela perderá apoio político e militar.

Armas químicas

Em Genebra, a alta comissária da ONU Navi Pillay criticou durante sessão do Conselho de Direitos Humanos a inércia da comunidade internacional em tomar medidas para proteger a população síria.

Com relação à denúncia de que o regime tem usado gases tóxicos contra os rebeldes e civis, feita ontem por jornalistas do Le Monde que acabam de passar dois meses na Síria, a França está analisando amostras de material colhido pelos jornalistas para verificar se são armas químicas proibidas pelo direito internacional. Os resultados das análises serão conhecidos nos próximos dias.

Combates em Quseir

A batalha entre rebeldes e o Exército sírio pelo controle da cidade estratégica de Quseir, no centro do país, segue intensa, com combatentes do movimento radical xiita libanês Hezbollah lutando ao lado das tropas de Bashar al-Assad. Nesta madrugada, grupos armados mataram três soldados libaneses no leste do Líbano perto da fronteira com a Síria, na localidade de Aarsal, favorável aos rebeldes.
 

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