Israel/Síria

Israel está preocupado com a venda de mísseis antiaéreos russos à Síria

O exercício militar envolvendo a população, para verificar se o país está preparado para eventuais ataques, termina nesta quarta-feira, 29/05/2013, em Israel
O exercício militar envolvendo a população, para verificar se o país está preparado para eventuais ataques, termina nesta quarta-feira, 29/05/2013, em Israel Reuters

Israel não esconde sua preocupação com o fornecimento de sistema antiaéreos da Rússia para a Síria. O ministro da Defesa israelense Moshé Ya'alon disse ontem que o país "saberá o que fazer" se os russos enviarem o material militar aos seus aliados sírios. Esta quarta-feira marca o último dos quatro dias de um exercício militar em Israel que teve como objetivo verificar se a sociedade civil está preparada para um ataque com armas não convencionais.

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Daniela Kresh, correspondente da RFI em Tel Aviv

O treinamento com a população para eventuais ataques – o sétimo deste estilo desde 2007 – começou no domingo com o soar de sirenes por todo o país. Mas, apesar da seriedade com a qual foi encarado por instituições de ensino e autoridades, a grande maioria dos israelenses ignorou, na prática, as instruções para buscar o abrigo antiaéreo mais próximo.

A população não parece preocupada com a recente escalada na retórica entre o Estado Judeu e o grupo libanês Hezbollah em meio ao aumento da tensão na Síria e a promessa da Rússia de vender mísseis antiaéreos S-300 para o governo de Damasco. Israel teme que esse armamento, que poderia alcançar qualquer base militar no país, acabe nos arsenais do Hezbollah.

O fornecimento do sistema antiaéreo à Síria foi defendido ontem pelo vice-chanceler russo, Sergei Rybakov, após a decisão da União Europeia de suspender o embargo de armas aos rebeldes sírios.

Em reação, o ministro da Defesa israelense, Moshe Ya’alon, afirmou que, se os mísseis realmente chegarem à Síria, Israel saberá “o que fazer”. Para evitar uma escalada de tensão, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu proibiu hoje seus ministros de comentar a decisão de Moscou.

Recentemente, carregamentos de armas que seriam destinados ao Hezbollah foram misteriosamente bombardeados nos arredores de Damasco, no que muitos acreditam ter sido ações israelenses. Isso levou o presidente sírio Bashar al-Assad a acusar abertamente Israel de colaborar com os rebeldes.

Muitos temem que Assad decida retaliar com seu exército ou através do Hezbollah, o que poderia levar a um conflito ainda mais amplo no Oriente Médio. O exercício interno israelense só aumentou a tensão: ficou parecendo que o país realmente se prepara para uma nova guerra.
 

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