Tunísia/Femen

Militantes do Femen serão julgadas na Tunísia no dia 5 de junho

Policiais tunisianos prendem militantes feministas diante do Palácio da Justiça de Túnis
Policiais tunisianos prendem militantes feministas diante do Palácio da Justiça de Túnis REUTERS/Anis Mili

As três militantes europeias do Femen que foram presas em Túnis por atentado ao pudor e à moral pública, serão julgadas no dia 5 de junho, de acordo com um de seus advogados, Souheib Bahri. A porta-voz do governo francês, Najat Vallaud-Belkacem, se disse ‘’preocupada” com a situação das jovens.

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As francesas Pauline Hillier e Marguerite Stern, e a alemã Josephine Markmann, foram detidas durante uma manifestação em apoio a Amina Sboui, militante tunisiana que foi presa depois de pintar a palavra "Femen" em um muro perto da mesquita de Kaiouran, uma cidade considerada sagrada pelo Islã. Amina, de 18 anos, foi condenada a pagar uma multa mas continua presa, acusada de profanação de túmulos.

De acordo com as autoridades, Amina estava em posse de um spray de gás lacrimogêneo. A jovem já havia causado polêmica por ter publicado fotos na Internet com os seios à mostra, recebendo diversas ameaças de islamitas radicais. Sua mãe afirma que ela é maníaca depressiva.

O Femen ficou conhecido pelos seus protestos polêmicos, onde as jovens integrantes sempre aparecem em topless. As três militantes presas há dois dias podem pegar até 15 anos de detenção. O juiz de instrução encarregado do caso deixou entender que poderia indiciá-las por formação de quadrilha.

O caso traz à tona a questão dos direitos das mulheres na Tunísia, que tem preocupado a comunidade internacional. O país passa por uma transição política desde os protestos da Primavera Árabe, que culminou na queda de Ben Ali e na chegada ao poder do partido islâmico Ennahda.

Seus representantes causaram polêmica em 2012 ao propor uma lei que fazia menção a uma "complementaridade entre os sexos", projeto que acabou sendo abandonado. Sob pressão internacional, a nova Constituição estipula que todos os cidadãos tenham os mesmos direitos e deveres, e que o Estado garanta a igualdade de chances entre homens e mulheres.

A porta voz do governo francês, Najat Vallaud-Belkacem, que também é ministra responsável pelos direitos das mulheres, se disse "preocupada" com o caso. Ela disse que está acompanhando a da situação e está em contato com as autoridades tunisianas.

 

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