Síria/ conflito

Rebeldes sírios combatem Hezbollah no Líbano

Soldados libaneses inspecionam local atingido por ataques vindos da Síria.
Soldados libaneses inspecionam local atingido por ataques vindos da Síria. REUTERS/Stringer
Texto por: RFI
5 min

Vários combatentes foram mortos durante uma noite de conflitos entre homens do Hezbollah e forças rebeldes sírias em uma região do Líbano que faz fronteira com a Síria, informaram fontes da área de segurança libanesa neste domingo. Enquanto isso, impasse político pode adiar conferência sobre negociações de paz na Síria para julho.

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Uma fonte afirmou que 15 rebeldes sírios foram mortos em combates ao leste da cidade de Baalbek, no Vale do Bekaa, no Líbano, mas o número exato de mortos ainda não foi determinado. O local fica em uma região remota na fronteira entre os dois países. A mesma fonte disse que um combatente do Hezbollah também morreu.

O conflito sírio, que já dura dois anos, está cada vez mais atingindo o vizinho Líbano, gerando confrontos na cidade de Trípoli, ao mesmo tempo que foguetes alcançam o Vale do Bekaa e Beirute.
Combatentes do xiita Hezbollah, que dá apoio ao presidente Bashar al-Assad, lutam junto com o Exército sírio para expulsar os rebeldes da cidade fronteiriça síria de Quseir. Sunitas libaneses, por sua vez, se juntaram à revolta contra Assad no local.

Os últimos combates aconteceram perto de Ain el-Jaouze, um pedaço de território libanês que adentra o território sírio. As fontes disseram que os rebeldes podem ter sofrido uma emboscada quando preparavam foguetes para serem disparados contra o Vale do Bekaa.

Os rebeldes têm dito que farão ataques dentro do Líbano como resposta ao apoio do Hezbollah ao ataque de Assad em Quseir, ponto estratégico dos rebeldes para o fornecimento de armas e para receber combatentes vindos do Líbano. No sábado, a Organização das Nações Unidas disse que até 1,5 mil feridos podem estar em Quseir, sem poder sair do lugar, e alertou que os dois lados serão considerados responsáveis pelo sofrimento de civis.

Mas diplomatas do Conselho de Segurança afirmaram que a Rússia, a mais poderosa aliada do regime sírio, bloqueou uma declaração do conselho pelo cerco de duas semanas a Quseir. Os russos teriam argumentado que o nada foi feito quando a cidade foi tomada pelos combatentes anti-Assad.

O esboço da declaração também cobrava que forças leais a Assad e os rebeldes que tentam derrubá-lo façam o máximo para evitar baixas entre civis. Havia ainda um apelo para que o governo de Assad permita o acesso pleno de agências humanitárias no local. O bloqueio de Moscou mostra a divisão entra a Rússia e as potências ocidentais sobre a guerra na Síria, apesar dos esforços conjuntos de norte-americanos e russos para organizar uma conferência de paz.

O ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, sugeriu neste domingo que a conferência sobre a Síria poderia ocorrer em julho. Ele disse que o governo sírio e a oposição precisam estar presentes para o que ele chamou de "a última chance" para uma solução negociada. "Não é somente sentar à mesa e então ver o que vamos discutir. Precisa ser preparado. Por isso que estou dizendo que julho seria conveniente", afirmou Fabius.

Combates

Um atentado com carro-bomba deixou pelo menos nove policiais mortos na capital da Síria, na manhã deste domingo. A explosão de um carro carregado com bombas atingiu o bairro de Jobar, no leste de Damasco, de acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH, uma entidade opositora com sede em Londres).

"Pelo menos nove membros das forças do regime morreram após uma forte explosão provocada por um carro-bomba perto de uma delegacia de polícia", disse à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.
Em Quseir, depois de receberem reforços, as tropas regulares apoiadas por combatentes do Hezbollah ampliavam o cerco ao redor dos rebeldes, que agora estão limitados ao norte desta cidade próxima à fronteira com o Líbano. Enquanto isso, em Homs ao menos 28 rebeldes morreram em combates com as forças regulares.

Neste domingo, em Roma, o papa Francisco pediu para a multidão reunida na Praça de São Pedro orar "pela bem-amada Síria" e apelou para a "humanidade" dos sequestradores do país para que libertem os reféns, sem citar nenhum caso específico.
 

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