Catar/Prisão

Poeta é condenado a 15 anos de prisão por criticar monarquia do Catar

O perdão do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al-Thani, é visto como o último recurso para livrar o poeta  da pena de 15 anos de prisão.
O perdão do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al-Thani, é visto como o último recurso para livrar o poeta da pena de 15 anos de prisão. REUTERS/Brendan McDermid

A justiça do Catar condenou nessa segunda-feira a 15 anos de prisão um poeta por um texto julgado como crítico ao regime do emir do Catar, Tamim bin Hamad Al-Thani.

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Mohamed al-Ajmi, conhecido como Iben al-Dhib, foi detido em novembro de 2011 pelo "Poema do Jasmim", que celebra a revolução tunisiana, que desencadeou a primavera árabe, e faz votos que ela se estenda às monarquias do Golfo Pérsico. "Nós somos todos a Tunísia diante de uma elite repressiva", escreveu.

O escritor já havia sido condenado à prisão perpétua em 29 de novembro de 2012 no mesmo processo por "atentado aos símbolos do Estado e incitação a derrubada do poder". Em fevereiro, ele obteve através de um recurso a redução da pena para 15 anos.

"Esse é um julgamento político e não jurídico", declarou Me Naïmi, ex-ministro da Justiça do Catar, país que se mostrou como um defensor fervoroso das recentes revoluções árabes.

Me Naïmi espera o "perdão do emir" como último recurso para libertar o poeta, que há dois anos cumpre pena em isolamento.

Segundo o advogado do escritor, "não há nenhuma prova que o poeta tenha declamado em público o poema pelo qual foi julgado". O texto teria somente sido lido em seu apartamento na capital egípcia.

Para a Amnesty International, em declaração feita em outubro do último ano, o Catar deve flexibilizar as restrições sobre a liberdade de expressão e assegurar que poetas, blogueiros, jornalistas e outros sejam autorizados a expressar suas opiniões sem medo de serem presos.

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