Mali/Violência

França e Mali lançam operações para investigar mortes de jornalistas da RFI

Dans le silence, des militaires français portent les cercueils-containers  sur le tarmac. D’abord celui de Claude, puis celui de Ghislaine, posés quelques minutes sur des tréteaux au pied de l’avion. Un moment de recueillement pour tout le monde.
Dans le silence, des militaires français portent les cercueils-containers sur le tarmac. D’abord celui de Claude, puis celui de Ghislaine, posés quelques minutes sur des tréteaux au pied de l’avion. Un moment de recueillement pour tout le monde. AFP/SIRPA TERRE/GILLES GESQUIERE

Os militares franceses já teriam indícios que podem levar à identificação dos assassinos, conforme informaram assessores do ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian. Mas as circunstâncias desse duplo assasinato que chocou a mídia francesa ainda precisam ser esclarecidas. Os corpos dos dois jornalistas da RFI assassinados sábado no norte do Mali, perto da cidade de Kidal, chegam a Paris na manhã de terça-feira.

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Na segunda-feira, os corpos de Ghislaine Dupont e Claude Verlon foram transportados de Kidal para a capital Bamako, onde o primeiro-ministro do Mali, Oumar Tatam Ly, e o embaixador francês participaram junto com outras autoridades de uma cerimônia em homenagem aos jornalistas. Hoje, jornalistas malineses fazem uma marcha silenciosa em Bamako em homenagem aos franceses mortos.

Segundo as últimas informações, baseadas em fontes da polícia malinesa, dezenas de suspeitos foram detidos desde sábado em Kidal. Operações foram lançadas em acampamentos atrás de suspeitos, confirmou o chanceler francês. Laurent Fabius, no entanto, não quis confirmar a informação de que 5 homens foram entregues a militares franceses na cidade de Gao.

De acordo com uma fonte do ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian, há um certo número de indícios que permitem identificar a ação dos sequestradores e a expectativa é de que a investigação possa avançar nesse sentido. Segundo essa fonte, não se trata de uma investigação policial comum.

As operações acontecem levando em conta a vasta região do norte do Mali onde as autoridades de Bamako têm pouco controle, e diante dos meios limitados da polícia, o exército está envolvido no caso.
Ontem à noite, o presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keïta, reuniu o chefe de governo e vários ministros e através de um porta-voz anunciou uma série de medidas, entre elas a abertura de um inquérito para esclarecer a morte dos dois jornalistas.

A investigação será feita paralelamente ao inquérito aberto pela Procuradoria de Justiça francesa. Dois magistrados devem chegar ainda hoje a Bamako para dar início à parte francesa das investigações.

Para as autoridades de Bamako, é importante que o caso seja resolvido para demonstrar a soberania do governo sobre seu próprio território. O país realiza eleições legislativas nos próximos dias e receberá durante a semana a visita do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Motivação do crime

As circunstâncias da morte de Ghislaine Dupont, de 57 anos, e de Claude Verlon, de 55, ainda precisam ser esclarecidas. O chanceler francês Fabius confirmou que no sábado, no momento em que militares se aproximaram da pick up onde estavam os dois jornalistas, um homem foi visto a uma distância de 1.500 metros fugindo, mas os militares não conseguiram capturá-lo.

Ghislaine foi morta com dois tiros no peito e Claude executado com três tiros na cabeça. Os corpos foram encontrados ao lado do veículo usado pelos jornalistas. A pick up estava trancada e não havia marcas de balas. Testemunhas disseram ter ouvido barulho de helicóptero em Kidal. O exército francês desmentiu e afirmou que dois aparelhos decolaram de Tessalit e demoraram 1 hora para chegar a Kidal, o que afastaria a hipótese de uma reação dos sequestradores.

Diante da execução friamente dos dois jornalistas, poucas horas depois do sequestro, foi evocada a hipótese de que poderia ser uma retaliação de grupos extremistas que se sentiram lesados na negociação da libertação de 4 franceses na semana passada no Níger. Informações não confirmadas sugerem que foi pago um resgate entre 20 e 25 milhões de euros pela liberdade do grupo. 
 

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