Síria/ conflito

Ataques matam 15 crianças na Síria; ONU envia ajuda humanitária

Não bastasse a violência do conflito, sírios também sofrem com inverno rigoroso.
Não bastasse a violência do conflito, sírios também sofrem com inverno rigoroso. REUTERS/Bassam Khabieh

Pelo menos 36 pessoas, entre elas 15 crianças, morreram em ataques da aviação síria em três bairros rebeldes de Aleppo, no norte da Síria, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Neste domingo, chegou ao país o primeiro avião humanitário da ONU para a Síria, partindo do Iraque - uma missão que havia sido adiada várias vezes.

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Em campo, os confrontos voltaram a assustar pela brutalidade. "Helicópteros lançaram barris de explosivos que mataram 22 pessoas, entre elas 14 crianças e um adolescente, nos bairros de Haydariyé, Ared al Hamra e Sajur", no nordeste da cidade, divididos entre o regime e os rebeldes, explicou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma ONG ligada à oposição.

Vários helicópteros atacaram as regiões rebeldes da cidade, outro importante centro econômico, acrescentou a mesma fonte. A organização Crescente Vermelho distribuiu alimentos e remédios na prisão central de Aleppo, cercada por rebeldes há oito meses.

Os voluntários libertaram 15 presos, informou o OSDH, acrescentando que outro grupo de 341 presos esperava ser solto. O regime de Bashar al Assad tinha anunciado, no começo da semana, uma anistia para os presos, devido às "más condições humanitárias e de saúde" na prisão. Mais de 126.000 pessoas morreram na Síria desde o começo da revolta popular que acabou descambando para uma guerra civil, em março de 2011, e vários milhões tiveram de fugir de suas casas.

Ajuda humanitária da ONU

Hoje o primeiro avião humanitário de ONU conseguiu decolar de Erbil, no Iraque, rumo à Síria. O destino foi Qamishli, uma região de maioria curda no nordeste da Síria. “Nos próximos dias, enviaremos 400 toneladas de alimentos”, informou Abeer Etefa, porta-voz para o Oriente Médio do Programa Alimentar Mundial da ONU.
O voo deste domingo levava 40 toneladas de comida. O Alto Comissariado para os Refugiados das Nações Unidas também prometeu o envio de ajuda humanitária por via aérea, incluindo tendas, roupas quentes e combustível para a população fazer face ao inverno rigoroso.

O auxílio aos civis atingidos pelo conflito só foi possível graças à concordância do regime e dos rebeldes, na quinta-feira. Entretanto, o primeiro avião só pôde partir hoje devido às condições meteorológicas desfavoráveis na região nos últimos dias. Sete voos estão programados.

Francês pessimista

Na noite de sábado, o chanceler francês, Laurent Fabius, disse que a oposição moderada síria, apoiada pela França, "enfrenta graves dificuldades". Ele lançou dúvidas sobre o êxito da conferência de paz prevista para 22 de janeiro na Suíça.

"A oposição moderada, a qual apoiamos, enfrenta grandes dificuldades", declarou Fabius, após um fórum que reuniu autoridades políticas e econômicas em Mônaco. "Sobre a Síria, infelizmente, estou bastante pessimista", admitiu o ministro francês, ao expressar suas dúvidas sobre o êxito da conferência de paz internacional, conhecida como Genebra 2.

"Trabalhamos para seu sucesso, mas é possível ter muitas dúvidas. E, infelizmente, não ter sucesso significa que esse país mártir continuará sofrendo, assim como seus países vizinhos", declarou Fabius.

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