Rússia/Atentado a bomba

Atentado suicida deixa ao menos 16 mortos na Rússia

Bombeiros cercam entrada principal da estação de trem onde aconteceu a explosão
Bombeiros cercam entrada principal da estação de trem onde aconteceu a explosão AFP PHOTO / STRINGER

Ao menos 16 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em um atentado suicida numa estação de trem em Volgograd (ex-Estalingrado, no sul da Rússia). De acordo com o comitê russo de investigação, por volta das 13h no horário local (7 da manhã em Brasília), uma mulher detonou o equivalente a dez quilos de dinamite na entrada do prédio lotado.

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A explosão aconteceu diante dos detectores de metal e destruiu as janelas do primeiro andar. Nas imagens difundidas pela televisão pública russa, era possível ver a neve coberta de detritos e a fachada cercada de ambulâncias. "As pessoas começaram a correr, mas foram lançadas pela explosão", disse uma testemunha.

As informações preliminares do ministério da Saúde calculam cerca de 50 feridos. Inicialmente, o governo regional havia anunciado que 18 pessoas teriam morrido, mas o número foi reduzido para 14 pouco depois. No fim da tarde, o número aumentou para 16. A polícia abriu uma investigação e trabalha com a hipótese de atentado terrorista.

Em comunicado emitido pelo Kremlin, o presidente Vladimir Putin pediu que sejam tomadas "todas as medidas necessárias para assistir aos feridos pela explosão". No local do atentado, a prefeita de Volgograd, Irina Gusseva, garantiu que trabalhará para que o "pânico se instale na cidade" e o ministério do Interior prometeu um reforço da seguranças nas principais estações e aeroportos da Rússia.

No último mês de outubro, uma kamikaze natural do Daguestão havia detonado explosivos em um ônibus repleto de estudantes em Volgograd. O ataque levantou o temor da comunidade internacional quanto à segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sotchi (sudoeste), que começam em 7 de fevereiro.

Viúvas negras
Desde 1999, a Rússia é alvo de uma série de atentados suicidas cometidos principalmente por mulheres, apelidades de "viúvas negras". Uma delas estourou uma bomba no metrô de Moscou em 2010, deixando 40 mortos. Em 2004, duas mulheres do Cáucaso Norte explodiram dois aviões comerciais que decolavam do aeroporto de Moscou-Domodedovo.

As mulheres são frequentemente usadas em atentados da rebelião que procura estabelecer um Estado Islâmico no Cáucaso Norte. No último mês de julho, seu líder, Doku Umarov lançou um vídeo conclamando seus seguidores a promover uma série de ataques contra os jogos de Sotchi para impedir "de todas as formas" que o evento aconteça.

A estação balneária de Sotchi, situada entre as margens do mar negro e as montanhas do Cáucaso, a 690 quilômetros de Volgograd fica próxima de regiões assoladas pela violência, especialmente o Daguestão. Mas a administração Putin pretende usar os jogos para fazer uma vitrine do país. Por isso, investiu 50 bilhões de euros na infra-estrutura esportiva da cidade - até então, praticamente inexistente. Isso faz dos jogos de Sotchi os mais caros da história.

 

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