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Egito/Irmandade Muçulmana

Justiça egípcia condena à morte 529 simpatizantes da Irmandade Muçulmana

O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi no tribunal do Cairo, em 4 de novembro de 2013.
O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi no tribunal do Cairo, em 4 de novembro de 2013. REUTERS/Egypt Interior Ministry/Handout via Reuters
2 min

Um tribunal egípcio condenou à morte nesta segunda-feira (24) 529 simpatizantes da Irmandade Muçulmana, movimento do ex-presidente Mohamed Mursi, deposto por um golpe militar em julho de 2013. Outros 17 militantes foram inocentados. Eles foram processados por diversos crimes, incluindo o assassinato de dois policiais. Um dos advogados de defesa dos réus, Ahmed al-Sharif, disse que a rapidez do julgamento, iniciado no sábado passado, pode atiçar uma nova onda de violência no Egito.

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Esta é a maior condenação em massa da história do Egito moderno, declarou Nabil Abdel Salam, advogado de vários líderes da Irmandade Muçulmana. A decisão judicial foi de primeira instância. As sentenças de pena de morte ainda precisam ser confirmadas pelo Grande Mufti, o líder espiritual dos muçulmanos junto do Estado egípcio.

Dos 545 acusados, apenas 153 estão detidos e compareceram ao tribunal. Os demais pagaram fiança, foram liberados ou estão foragidos. Entre os crimes que pesavam contra os militantes estão a morte de um policial, um ataque a uma delegacia de polícia e depredações diversas do patrimônio público e privado. Amanhã, outros 700 simpatizantes do movimento islâmico serão julgados.

A Irmandade Muçulmana conquistou o poder nas primeiras eleições livres no Egito, após a queda do regime militar de Hosni Mubarak, em meio a uma onda de protestos na esteira na chamada Primavera Árabe. O ex-presidente Mursi foi eleito com apoio popular, mas tomou uma série de medidas retrógradas que acabaram dividindo o país. Muitos consideram Mursi como uma marionete do comando político da Irmandade Muçulmana e o "carneirinho" de seu guia supremo, o discreto Mohamed Badie.

"Acerto de contas"

Familiares de condenados denunciam um julgamento expeditivo, "um acerto de contas" que durou menos de 48 horas, durante o qual nem os advogados de defesa, nem testemunhas ou os acusados foram ouvidos pelos juízes.

O julgamento foi aberto no sábado pelo tribunal penal de Minya, um antigo reduto de grupos islâmicos nos anos 1990. Em agosto do ano passado, após a dispersão sangrenta das manifestações de apoio a Mursi na capital egípcia, Minya foi palco de uma onda de violência contra as forças de segurança e a minoria cristã copta. Na época, a intervenção das forças de segurança deixou mais de mil mortos entre os simpatizantes da Irmandade Muçulmana.

Na sequência desses acontecimentos, os militares egípcios, que substituíram Mursi no poder, desencadearam uma perseguição implacável contra os islamitas. Em dezembro, o novo poder decretou a Irmandade Muçulmana como uma organização terrorista, após uma série de atentados contra policiais e militares. O movimento islamita negou envolvimento nesses ataques, que foram posteriormente reivindicados por um grupo jihadista baseado na península do Sinai.

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