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Ucrânia/Acidente Aéreo

Comunidade internacional pede explicações após queda de avião da Malaysia Airlines na Ucrânia

Jornalista fotografa destroços do avião da Malaysia Airlines, que caiu na quinta-feira no leste da Ucrânia.
Jornalista fotografa destroços do avião da Malaysia Airlines, que caiu na quinta-feira no leste da Ucrânia. REUTERS/Maxim Zmeyev
Texto por: RFI
5 min

Líderes mundiais se exprimiram após a queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines na Ucrânia. As autoridades de Kiev anunciaram, na manhã desta sexta-feira (18), o fechamento do espaço aéreo no leste do país após a catástrofe. A região é palco de confrontos e investiga-se a hipótese de que a aeronave, que transportava 298 pessoas entre Amsterdã e Kuala Lumpur, poderia ter sido atingida por um míssil lançado por rebeldes pró-Rússia. Bombeiros já começaram a resgatar os restos das vítimas.

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A queda do avião da Malaysia Airlines suscitou reações imediatas da comunidade internacional. O presidente norte-americano, Barack Obama, pediu que uma investigação “rápida” e “sem obstáculos” seja realizada e ofereceu a ajuda dos Estados Unidos na operação. O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, de onde vinham 154 das 298 pessoas a bordo da aeronave, se disse "profundamente chocado com o acidente". A imprensa holandesa exprime o estado de choque em que o país se encontra e denuncia "um crime abominável". As bandeiras estão a meio mastro em todos os prédios públicos da Holanda. 

A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) convocou uma reunião de urgência em Viena, na Áustria, para discutir a catástrofe. O Conselho de Segurança das Nações Unidas também se reúne a partir de 11h, no horário de Brasília.

A hipótese de que o avião tenha sido atingido por um míssil lançado pelos separatistas pró-Rússia é cada vez mais cogitada. O primeiro ministro-ucraniano, Arseni Iatseniuk, acusa diretamente Moscou pela catástrofe. “Os russos foram longe demais. É um crime internacional e os responsáveis devem ser julgados em Haia”, declarou o chefe do governo, fazendo referência ao Tribunal Penal Internacional, sediado na cidade holandesa.

O premiê da auto-proclamada República Popular de Donetsk, pró-Rússia, declarou não ter armas capazes de derrubar um avião a 10 mil metros de altura.

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta sexta-feira, durante uma conversa telefônica com o primeiro-ministro holandês, uma investigação "minuciosa e imparcial" sobre o acidente. O chefe do Kremlin disse que essa tragédia enfatiza novamente a necessidade de se encontrar o mais rápido possível uma solução pacífica para a grave crise na Ucrânia.

Espaço aéreo fechado e caixa-preta localizada

O ministério ucraniano da Infraestrutura confirmou na manhã desta sexta-feira o fechamento do espaço aéreo no leste do país, nas regiões de Donetsk e de Lugansk, onde as forças do governo combatem os separatistas pró-Rússia. O Eurocontrol, órgão que administra o espaço aéreo europeu, também anunciou que está recusando todos os planos de voo incluindo rotas passando pelo leste ucraniano. Há vários meses, algumas das principais companhias aéreas asiáticas já haviam modificado suas rotas para evitar a zona.

Depois do acidente, as companhias aéreas russas Aeroflot e Transaero decidiram não sobrevoar mais o espaço aéreo ucraniano, assim como a turca Turkish Airlines e a norte-americana Delta. A França e a Itália também orientaram suas companhias aéreas a fazer o mesmo.

Uma das caixas-pretas do avião da Malaysia Airlines foi encontrada pelas equipes de resgate que trabalham no local do acidente, perto de Donetsk. Especialistas do serviço secreto norte-americano defendem a tese de que o avião teria sido abatido por um míssil, mas a origem do tiro ainda é incerta. Os separatistas pró-russos que controlam a região e o exército ucraniano se acusam mutuamente pela queda do avião.

Os separatistas aceitaram dar acesso sem entraves ao local onde caiu o Boeing aos investigadores internacionais. O anúncio foi feito pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa. Os combatentes pró-russos também se comprometeram a cooperar com as autoridades competentes da Ucrânia em todas as questões práticas ligadas à recuperação dos corpos e à investigação.

Não há indícios de que alguma das 298 pessoas a bordo da aeronave teria sobrevivido. Segundo a última lista fornecida pela Malaysia Airlines na manhã desta sexta-feira, o avião transportava 154 holandeses, 43 malaios, incluindo os 15 integrantes da tripulação, 27 australianos, 12 indonésios, 9 britânicos, 4 alemães, 5 belgas, 3 filipinos e um canadense. A nacionalidades dos demais passageiros ainda está sendo verificada.

Segundo acidente da Malaysia Airlines

O mercado financeiro também reagiu ao acidente. Diante do risco de escalada de violência na região, as bolsas europeias e norte-americanas fecharam em baixa, mas começaram a se recuperar pela manhã. O pregão nas principais praças asiáticas abriram em queda. As ações da Malaysia Airlines também despencaram. A companhia aérea enfrenta a segunda catástrofe do ano, após a catástrofe do voo MH370, que desapareceu em março, quando fazia a rota entre Kuala Lumpur e Pequim.

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