Rússia/Ucrânia

Ucrânia diz que não deixará passar comboio humanitário russo

Comboio humanitário russo, composto por 280 caminhões carregados com supostas duas toneladas de alimentos e remédios, a caminho do leste da Ucrânia.
Comboio humanitário russo, composto por 280 caminhões carregados com supostas duas toneladas de alimentos e remédios, a caminho do leste da Ucrânia. REUTERS/Reuters TV

O governo ucraniano anunciou nesta terça-feira (12) que não deixará passar por seu território um comboio humanitário russo. Segundo agências de notícias da Rússia, 280 caminhões transportam duas mil toneladas de itens doados por moradores de Moscou e arredores às vítimas do conflito no leste da Ucrânia. O carregamento deve chegar amanhã à fronteira entre os dois países.

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O governo ucraniano se mostra reticente em relação à intervenção russa. “Não sabemos o que  transportam esses caminhões”, declarou o chefe-adjunto da presidência ucraniana, Valeri Tchaly. Kiev teme que o carregamento contenha material bélico destinado à rebelião no leste da Ucrânia.

Além disso, Tchaly lembra que não sabe como os produtos poderiam ser repassados ao território controlado pelo movimento separatista pró-russo na Ucrânia. A ajuda teria que ser entregue à Cruz Vermelha, em um posto da fronteira entre as regiões de Belgorod, na Rússia, e Kharkiv, na Ucrânia, lembra o chefe-ajunto da presidência de Kiev.

“O problema é como transferir esta ajuda ao território que é controlado pelos pró-russos. Esperamos que os líderes da rebelião encontrem uma solução. Caso contrário, a questão ficará em suspenso”, completou Tchaly.

Outros políticos ucranianos criticaram intensamente a ideia de aceitar ajuda humanitária russa dentro do território da Ucrânia controlado pela rebelião. “Que tipo de ajuda humanitária é essa? A Rússia está destruindo nosso país”, protestou o deputado nacionalista Oleg Liachko.

Preocupação

A comunidade internacional também se preocupa com a suposta missão russa em território ucraniano. O ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, disse temer que o comboio não transporte apenas produtos para ajuda humanitária. Ele reiterou que esse tipo de operação precisa do aval do governo da Ucrânia.

O presidente francês, François Hollande, também conversou por telefone com o chefe de Estado russo, Vladimir Putin. Este justifica o envio da ajuda com as “conseqüências catastróficas” da ofensiva do exército ucraniano contra Lugansk e Donetsk, os dois últimos redutos da rebelião pró-Rússia no leste da Ucrânia.

Em um comunicado, o Palácio do Eliseu indica que Hollande também conversou por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre o assunto. De acordo com o documento, os dois líderes querem ter certeza de que se trata de uma verdadeira missão humanitária. “Eles também concordam em dar continuidade aos esforços para se encontrar um acordo político” entre a Ucrânia e a Rússia.

Caminhões chegam quarta-feira

Apesar do impasse, os 280 caminhões seguem sua rota a caminho da Ucrânia. Eles devem chegar amanhã na fronteira entre os dois países. Os veículos estão supostamente abastecidos com 400 toneladas de cereais, 100 toneladas de açúcar, 54 toneladas de remédios e material médico, além de 69 geradores de energia.

Enquanto isso, o Parlamento ucraniano examina hoje um projeto de lei sobre sanções contra 172 pessoas e 65 empresas, em sua maioria russas. Elas são acusadas de terem apoiado a anexação da Crimeia à Rússia e a ofensiva dos separatistas pró-russos no leste do país.
 

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