Rússia/Ucrânia

Negociações sobre cessar-fogo avançam entre Rússia e Ucrânia

As tropas ucranianas se retiraram nesta segunda-feira do aeroporto de Lugansk, reduto dos separatistas pró-Rússia no leste do país.
As tropas ucranianas se retiraram nesta segunda-feira do aeroporto de Lugansk, reduto dos separatistas pró-Rússia no leste do país. REUTERS/Gleb Garanich

A presidência ucraniana anunciou hoje a conclusão de um cessar-fogo permanente no leste da Ucrânia, mas a informação foi desmentida uma hora depois pela Rússia. Os dois dirigentes conversaram nesta quarta-feira (3) pelo telefone, mas Moscou negou um acordo.

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Moscou confirmou o telefonema, mas declarou que houve apenas uma discussão sobre as possíveis soluções para o conflito na Ucrânia. Segundo o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, o país não está envolvido no conflito entre Kiev e os separatistas do Donbass, no leste ucraniano, e por isso não pode participar desse tipo de decisão.

"Putin et Porochenko apenas discutiram medidas que contribuirão para um cessar-fogo entre as milícias e as forças ucranianas. A Rússia não pode decidir ou não por um cessar-fogo porque não participa do conflito", declarou Peskov.

De acordo com o comunicado transmitido pela presidência ucraniana, um acordo foi concluído sobre um cessar-fogo permanente em Donbass depois do telefonema, que "permitirá estabelecer a paz." Um pouco mais cedo, o Kremlin disse que os pontos de vista dos dois presidentes eram coincidentes, e "por isso há meios de sair dessa situação de crise."

O presidente norte-americano Barack Obama, que está na Estônia, estimou nesta quarta-feira que é cedo para se pronunciar sobre a existência ou não de um acordo. "Há uma oportunidade, vamos ver se ela vai se concretizar", disse, anunciando que os americanos vão iniciar novas manobras nos países bálticos.

Combates continuam no leste do país

Apesar das declarações dos líderes ucraniano e russo, os combates continuaram hoje no leste do país. Um representante dos separatistas em Donetsk, a principal cidade de Donbass, disse à agência Interfax que os rebeldes cessariam os combates assim que Kiev aceitasse uma trégua.

"Se a Ucrânia respeitar suas promessas de cessar-fogo, estaremos próximos de uma solução política", declarou Miroslav Roudenko, representante da República autoproclamada de Donetsk. Desde o início do conflito, há cinco meses, mais de 2600 pessoas morreram e 500 mil ucranianos fugiram do país. Os ocidentais acusam Moscou de apoiar os separatistas no leste da Ucrânia, fornecendo armas e combatentes.

 

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