ONU/Terrorismo

Conselho de Segurança aprova resolução para conter jihadistas

O presidente Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira (24) sua estratégia de usar a força para combater o Grupo Estado Islâmico (EI).
O presidente Barack Obama, defendeu nesta quarta-feira (24) sua estratégia de usar a força para combater o Grupo Estado Islâmico (EI). UN Photo/Cia Pak

O Conselho de Segurança da ONU adotou uma resolução nesta quarta-feira (24) para conter a expansão de grupos como o Estado Islâmico. A votação foi unânime e o documento prevê que todos os países membros das Nações Unidas criem leis para evitar e combater o recrutamento e o trânsito de terroristas.  Informações de Luisa Leme, correspondente da RFI em Nova York.

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O documento inclui a condenação de pessoas que viajam para fazer parte de grupos terroristas e para quem os treina, ou planeja e financia suas atividades. A resolução fez um apelo para os países acelerarem a troca de informações sobre grupos ultra-radicais e foi proposta pelos Estados Unidos, que presidem o órgão da ONU em setembro.

O presidente norte-americano Barack Obama disse que a resolução deve fortalecer a cooperação entre países e o compartilhamento de informações sobre terroristas. Ele disse que o documento é “prova de que respeitar direitos humanos e o estado de direito não é uma opção quando se combate o terrorismo”. Esta foi a segunda vez que Obama presidiu uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que contou com cerca de 50 países inscritos para se pronunciar sobre a crise.

Ele pediu ações concretas dos países e disse que o desafio de combater terroristas cruzando fronteiras e organizando atos de extrema violência não pode ser superado por uma só nação, em um mundo interconectado de hoje.

EUA não participariam de outra guerra

Os Estados Unidos ocupam a presidência rotativa do órgão durante o mês de setembro e já vêm colocando terrorismo em discussão nas últimas semanas. O Conselho havia condenado ataques do grupo Estado Islâmico no Iraque, Síria e Líbano. Na última terça-feira (23), o Secretário de Estado, John Kerry, teve uma reunião com líderes iraquianos e disse que terroristas do estado islâmico devem ser responsabilizados pelos ataques no Oriente Médio. “Mais de 50 países já se uniram para combater o grupo Estado Islâmico incluindo os países árabes que nos ajudaram com os ataques aéreos na Síria”, disse Kerry à imprensa na sede das Nações Unidas nesta terça.

Durante a reunião, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que terroristas são “inimigos da fé”, e que grupos como o Estado Islâmico não têm nada a ver com o islamismo.

Pela manhã, durante o pronunciamento dos Estados Unidos na Assembléia Geral, Obama intensificou o apelo aos outros países para combater ameaças extremistas. O presidente resgatou o espírito de coletividade que ajudou a criar a ONU para pedir que o mundo adote passos concretos para conter fanáticos religiosos. Obama disse que os Estados Unidos não participariam de uma nova guerra, mas que estarão prontos para ajudar países como Iraque e Síria a recuperar seus territórios.

França na Assembléia Geral

Outros países também demonstraram apoio à coalizão norte-americana contra o terrorismo. O presidente François Hollande iniciou seu discursou na plenária descrevendo as circunstâncias da morte do francês Hervé Gourdel. Ele falou da violência de grupos ultra-fundamentalistas contra minorias e disse que os ataques e sequestros são uma ameaça a todos os países do mundo.

Hollande reafirmou o apoio francês às autoridades iraquianas no combate ao grupo Estado Islâmico e criticou o governo da Síria por dar condições aos extremistas. O presidente francês perguntou em seu discurso se “países enfrentando terrorismo deveriam permanecer espectadores ou agir como atores em conjunto, dentro de uma ordem mundial mais justa”.

Reino Unido

O Primeiro-Ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que erros do passado, como o que aconteceu há dez anos, no Iraque, não devem servir como desculpa para países serem indiferentes diante as ameaças atuais. Cameron disse que uma das medidas que os países podem adotar é banir organizações com discursos extremistas e trabalhar juntos para conter a publicação de vídeos do grupo Estado Islâmico na internet.

Antes da participação na Assembléia Geral, Cameron teve uma reunião bilateral com o presidente do Irã, Hassan Rouhani – a primeira desde a revolução iraniana de 1979. Ele disse que apesar de discordar em muitos pontos com o país, o Irã pode ajudar no combate ao grupo. O primeiro-ministro anunciou nesta quarta-feira que vai convocar o parlamento inglês para discutir novamente uma possível ajuda ao governo iraquiano no combate ao grupo ultra-fundamentalista.
 

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