Hong Kong/Política

Protestos pró-democracia reúnem milhares de pessoas em Hong Kong

A polícia de Hong Kong lançou gás lacrimogênio contra os manifestantes neste domingo.
A polícia de Hong Kong lançou gás lacrimogênio contra os manifestantes neste domingo. REUTERS/Stringer

A polícia de Hong Kong precisou usar gás lacrimogênio e até gás de pimenta para dispersar milhares de manifestantes que foram às ruas neste domingo (28) para pedir ao governo chinês mais liberdades políticas. Os confrontos deixaram 26 feridos e 78 pessoas foram presas, de acordo com a polícia local.

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Os manifestantes bloquearam uma importante avenida e paralisaram uma parte do centro de Hong Kong em protesto pela decisão de Pequim de limitar o número de candidatos e interferir na futura eleição para o chefe de governo do ex-território britânico que foi repassado à tutela chinesa em 1997.

Os policiais lançaram muitas bombas de gás lacrimogênio e até de gás de pimenta contra os manifestantes, provocando cenas poucas vezes vistas em Hong Kong. Os militantes pró-democracia forçaram a passagem por um cordão policial armado em torno dos prédios onde ficam as sedes do governo e do conselho legislativo. No local, manifestantes chegaram a acampar durante vários dias para protestar.

Segundo fontes policiais, 78 foram presas e 26 ficaram feridas e foram encaminhadas a hospitais. "Vergonha, vergonha, vergonha", gritavam os manifestantes enquanto tentavam se proteger das bombas de gás com guarda-chuvas, máscaras e até filmes plásticos usados para cobrir alimentos.

A circulação de carros ficou interrompida, o que é fato raro na ex-colônia britânica. Há uma semana, estudantes realizam manifestações em Hong Kong. Neste domingo, o movimento pró-democracia, Occupy Central, decidiu se unir ao protesto estudantil e antecipar suas ações, que estavam previstas para quarta-feira. A intenção era ocupar e paralisar o Central, bairro empresarial cujos arranhas-céus se tornaram símbolo de Hong Kong.

Pedidos de reformas políticas

Pequim anunciou no mês de agosto que o futuro chefe do governo executivo local seria eleito por sufrágio universal em 2017, mas que somente dois ou três candidatos selecionados por um comitê poderiam se candidatar.

Os estudantes, que ocuparam na sexta-feira a sede do governo, lançaram uma campanha de desobediência civil, para denunciar uma interferência do regime chinês sobre assuntos do território. O movimento Occupy Central pede a retirada da decisão de Pequim sobre a eleição do chefe de governo e pede o relançamento de um processo de reformas políticas pró-democracia.

 

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