EI/Síria

Grupo Estado Islâmico já controla três quartos de cidade curda

Um curdo observa os combates em Kobani a partir do vilarejo de Mursitpinar, na fronteira turco-síria, em 6 de outubre de 2014.
Um curdo observa os combates em Kobani a partir do vilarejo de Mursitpinar, na fronteira turco-síria, em 6 de outubre de 2014. AFP PHOTO / ARIS MESSINIS

Os aviões da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos voltaram a atacar nesta terça-feira (7) posições do grupo Estado Islâmico ao sul da cidade de Ail al Arab, Kobani em língua curda. Durante a madrugada, as forças internacionais já haviam realizado ataques aéreos contra grupos de jihadistas. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, os integristas fundamentalistas já controlam três quartos da cidade, incluindo o distrito industrial.

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Na madrugada desta terça-feira, os jihadistas tomaram o controle de um bairro situado no sudoeste da cidade, abrindo um segundo front dentro da cidade curda. Na parte leste de Kobani, bandeiras pretas do movimento integrista foram hasteadas no alto de prédios na segunda-feira.

Segundo um alto responsável curdo, Asya Abdullah, os ultrarradicais usam armas pesadas e lançaram obuses contra Kobani. "Ontem, os confrontos foram violentos. Nós tivemos que lutar muito para mantê-los fora da cidade", afirmou Abdullah à agência Reuters.

Temendo represálias violentas dos jihadistas do Estado Islâmico, a população civil foge em massa para a vizinha Turquia. Somente nesta terça-feira (7) pela manhã, cerca de mil pessoas chegaram à cidade turca de Suruc, que fica perto de Ain al-Arab. Ontem, mais de dois mil curdos, incluindo mulheres e crianças, se refugiaram na Turquia, segundo um membro do Partido da União Democrática, o principal movimento político curdo da região.

Combate contra extremistas pode durar 30 anos

Em terra, as forças curdas tentam proteger a população e evitar a tomada da cidade pelos jihadistas. Os combatentes curdos, porém, têm apenas armas leves. Segundo especialistas, como eles conhecem bem a região e contam com o apoio aéreo da coalizão internacional, eles têm chances de vitória.

Mas Leon Panetta, ex-secretário de Defesa de Barack Obama e ex-diretor da CIA ,é menos otimista. Em livro lançado hoje nos Estados Unidos, ele afirma que a luta contra os terroristas na Síria e no Iraque "pode durar 30 anos".

Pressionada para intervir no conflito, a Turquia reiterou na segunda-feira suas condições para agir. Entre as exigências, estão a renúncia do presidente sírio, Bashar Al-Assad, e a criação de uma zona de exclusão aérea no norte da Síria.

"Nós estamos prontos a fazer de tudo se houver uma estratégia clara e se nós tivermos as garantias de que nossas fronteiras serão protegidas depois (da saída do EI)", declarou o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu em uma entrevista concedida à rede de televisão CNN.

"Nós não queremos mais o regime (de Bashar Al-Assad) na nossa fronteira, forçando os sírios em direção à Turquia. Não queremos outras organizações terroristas. Se Al-Assad continuar no poder com sua política brutal, se (o grupo Estado Islâmico) partir, uma outra organização extremista irá ocupar o espaço", argumentou.

Irã prende jihadistas suspeitos

Mais de 130 membros de grupos rebeldes extremistas foram detidos no Irã, declarou nesta terça-feira (7) o ministro da Informação, Mahmoud Alavi, citado pela agência oficial Isna. O período em que foram feitas as detenções não foi comunicado. Segundo o ministro, os detidos pertencem a grupos tafkiris.

As autoridades iranianas qualificam de takfiris todos os membros de grupos sunitas radicais que pertencem a organizações como o grupo Estado Islâmico, a Frente al-Nosra ou ainda o grupo Jaish al-Adl, que cometeu atentados na província de Sistan-Baluchistan, no sudeste do Irã.

Segundo o ministro Alavi, os serviços secretos teriam descoberto dois cinturões de explosivos que seriam usados em duas províncias do país durante o dia de Qods, no dia 25 de julho, última sexta-feira antes do final do Ramadã. Durante todo o dia de Qods, fiéis muçulmanos iranianos organizam manifestações de apoio aos palestinos e contra Israel.

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