Hong Kong/ protestos

Polícia e manifestantes voltam a se enfrentar em Hong Kong

Manifestantes se defendem com guarda-chuvas, o símbolo do movimento iniciado há quatro semanas.
Manifestantes se defendem com guarda-chuvas, o símbolo do movimento iniciado há quatro semanas. REUTERS/Carlos Barria

Hong Kong teve uma nova noite de confrontos entre a polícia e os manifestantes que pedem mais democracia na região. Eles denunciam o uso excessivo da força pelos agentes de segurança. Neste domingo (19), o ministro das Finanças de Hong Kong disse que os protestos atingiram um ponto crítico, a dois dias do início de negociações entre o governo e líderes dos manifestantes.

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Os confrontos se iniciaram de madrugada e se estenderam pela manhã deste domingo em Mongkok, um dos três locais ocupados pelos manifestantes. Uma tropa de 28 mil policiais tem se esforçado para conter o movimento liderado por jovens que não parecem estar dispostos a ceder. O movimento começou há quatro semanas, quando centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas da cidade para exigir democracia plena na ex-colônia britânica, submetida à China há 17 anos.

No povoado distrito de MongKok, a polícia conseguiu tirar os manifestantes de um cruzamento importante, mas enfrentou um revés em seguida. Os manifestantes lançaram um ataque ainda de madrugada, colocando capacetes e óculos de proteção, antes de avançar e tomar uma linha de barricadas de metal.

Em meio a gritos e xingamentos, centenas de policiais começaram a bater nos participantes, que levantaram um muro de guarda-chuvas, o símbolo do protesto. Spray de pimenta foi usado sistematicamente, em meio a confrontos violentos. A polícia avançou com escudos anti-motim, forçando a multidão a recuar.

No total, 20 pessoas ficaram feridas, segundo o governo local, que não especificou quantos eram policiais ou manifestantes. Várias pessoas foram detidas. Carros de bombeiros com canhões de água estavam estacionados no local, mas não foram usados.

“Momento crítico”

Neste contexto de tensão, o ministro das Finanças, John Tsang, pediu a dispersão do movimento. “Eu fui jovem e participei de vários movimentos estudantis”, escreveu, em seu blog. “A decisão de bater em retirada não será fácil e exige muita coragem. Eu acho que vocês terão a coragem de tomar a melhor decisão neste momento crítico”, disse.

O chefe de segurança de Hong Kong, Lai Tung-Kwok, afirmou que alguns dos confrontos nos últimos dias foram provocados por ativistas filiados a "organizações radicais que têm sido ativos na conspiração e no planejamento de atos violentos". As batalhas aconteceram logo após o líder de Hong Kong pró-Pequim, Leung Chun-ying, oferecer uma reunião a líderes estudantis na próxima terça-feira, numa tentativa de acalmar os protestos.

O secretário-chefe de Leung, Carrie Lam, anunciou que as negociações entre os líderes estudantis e o governo da cidade serão transmitidas ao vivo pela televisão. Os protestos representam um dos maiores desafios para a China desde o esmagamento de manifestações pró-democracia em Pequim em 1989, e também são a mais grave crise enfrentada pelo governo de Hong Kong desde a transferência de soberania à China.

Democracia plena

Líderes chineses e de Hong Kong têm se recusado a ceder às exigências dos manifestantes, enquanto o movimento acabou ganhando força após o uso de força policial. Os manifestantes exigem que os líderes do Partido Comunista da China cumpram as promessas constitucionais para conceder democracia plena à ex-colônia britânica, que voltou ao domínio chinês em 1997.

Hong Kong é governada sob a fórmula de "um país, dois sistemas", que permite que a região capitalista próspera tenha autonomia e liberdades amplas, em relação à China. Mas Pequim decidiu, em agosto, que vai analisar os candidatos que querem concorrer à chefia do executivo da cidade em 2017, o que ativistas da democracia avaliam que torna um sufrágio sem sentido: eles exigem eleições livres.
 

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