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Europa/Ebola

Europeus se reúnem para definir estratégia contra o ebola na África

Médico Philippe Bargain faz uma demonstração do teste de temperatura praticado no aeroporto Charles de Gaulle.
Médico Philippe Bargain faz uma demonstração do teste de temperatura praticado no aeroporto Charles de Gaulle. REUTERS/Philippe Wojazer
4 min

Após os ministros da Saúde na semana passada, são os ministros europeus das Relações Exteriores que se reúnem nesta segunda-feira (20), em Luxemburgo, para consolidar a resposta do continente à epidemia de ebola. O tema foi erguido ao topo da agenda europeia, agora que o balanço da crise ultrapassa os 4,5 mil mortos. Informações dos correspondentes da RFI em Berlim, Nathalie Versieux, e em Washington, Anne-Marie Capommacio.

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“Estamos em um momento crucial, é preciso agira agora”. É assim que um diplomata em Bruxelas resume o estado de espírito dos europeus. A presidente da Libéria, o país mais afetado, convocou no domingo “todas as nações” a se mobilizar. Os 28 representantes europeus pretendem aumentar a ajuda aos países que enfrentam o vírus. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, propõe dobrar o apoio do continente.

Outra prioridade para os 28 países é evitar a propagação do vírus na Europa. Os britânicos decidiram, antes de todos, impor controles de temperatura em seus aeroportos para todos os passageiros vindos de Conakry, Freetown e Monróvia. França e Bélgica seguiram o exemplo. Mas a Organização Mundial da Saúde não considera essas medidas indispensáveis, já que testes para identificar o ebola já estão sendo realizados nos aeroportos de partida.

Os chefes da diplomacia tentarão, nesta segunda-feira, avançar no procedimento de repatriação dos europeus contaminados na África. Atualmente, apenas duas pessoas que tenham contraído o vírus podem ser retiradas por vez. Essa falta de estrutura acaba desencorajando outros médicos europeus a partirem para campo.

“Se não agirmos, as consequências serão incalculáveis, também para a Alemanha”, disse o chanceler alemão, Franck-Walter Steinmeier, que convocou os estados membros da União Europeia a se mobilizar.

Proposta alemã

“A União Europeia deve agir mais rápido e com mais eficácia”, insistiu o líder alemão. Ele pretende propor hoje a seus colegas uma ação coordenada. “Queremos enviar uma missão civil da União Europeia até a África, permitindo assim que também os países que ainda não estão presentes no continente tenham uma plataforma para poder atuar”.

A União Europeia poderia também desenvolver um grupo de especialistas médicos e logísticos, que seria mobilizado em caso de crise aguda. A Alemanha também é favorável à criação de um avião capaz de transportar os doentes sem perigo de contaminação. O país está tendo dificuldade em mobilizar médicos – somente 70 profissionais alemães se apresentaram para ir à África.

Assunto eleitoral nos Estados Unidos

O ebola também é assunto do outro lado do oceano. Para responder ao temor crescente que há nos Estados Unidos em relação ao vírus, o governo Obama multiplica iniciativas: nomeou uma pessoa encarregada da coordenação de todos os serviços, aumentou o controle nos aeroportos e, o anúncio mais recente, criou unidade de intervenção especial no Pentágono.

O objetivo de Barack Obama é reduzir a inquietação dos americanos, já que ele se recusa a cancelar os voos provenientes da zona afetada na África. O hospital onde morreu Eric Duncan, vítima do ebola, reconheceu que houve um erro de diagnóstico, tendo emitido ontem um pedido de desculpas por não ter agido rapidamente ao saber da chegada da vítima da Libéria.

A morte de Duncan, a contaminação de uma enfermeira e o atraso na reação são alguns dos fatores que alimentam o medo de uma epidemia nos Estados Unidos, o que já se tornou um tema das eleições legislativas que ocorrem no dia 4 de novembro. Os republicanos pedem o cancelamento dos voos vindo do oeste africano – alguns pedindo inclusive o fim dos vistos para cidadãos destes países –, mas os democratas não concordam.

Obama prefere investir nas medidas de prevenção. A unidade criada no Pentágono a pedido do presidente conta com 20 enfermeiros, cinco médicos e cinco biólogos e será responsável por responder a qualquer necessidade relacionada ao ebola em solo americano.

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