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Reportagem

Para especialista, Tunísia não se divide entre laicos e islamitas

Áudio 04:22
Ex-ministro de Ben Ali e líder do Nida Tunis, Beji Caid Essebsi comemora vitória nas legislativas
Ex-ministro de Ben Ali e líder do Nida Tunis, Beji Caid Essebsi comemora vitória nas legislativas REUTERS/Zoubeir Souissi
Por: Gabriel Rocha Gaspar
7 min

O partido Ennahda reconheceu sua derrota nas eleições deste domingo (26) na Tunísia. A coligação islamita havia vencido as primeiras eleições livres organizadas no país, após a revolução que derrubou o ditador Zine Ben Ali, em 2011, e serviu de estopim para a chamada Primavera Árabe. O Ennahda obteve 67 cadeiras contra 80 da coalizão Nidaa Tunis, um grupo heterogêneo, que inclui políticos da esquerda, da centro-direita e até quadros remanescentes do período ditatorial.

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Na França e em boa parte da imprensa internacional, destacou-se o aspecto secular do Nidaa Tunis em contraposição aos islamitas do Ennahda. Mas, na opinião de Álvaro Vasconcelos, professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da USP e pesquisador sênior do Arab Reform Initiative, isso não passa de um olhar eurocêntrico, que não capta a complexidade da cena política tunisiana.

"Ora, todos os partidos tunisianos importantes e influentes, incluindo o Ennahda e o Nidaa Tunis, por um lado, têm uma referência ao Islã. O Nidaa Tunis falou, durante a campanha eleitoral, da sua afiliação também a um Islã moderado; e o Ennahda é um partido que defendeu uma Constituição laica", observa o professor.

De olho nas presidenciais

Vasconcelos concorda com os observadores internacionais que as eleições transcorreram bem, foram justas e transparentes. Agora, duas questões aparecem no horizonte tunisiano: a da governabilidade, já que nenhum partido obteve maioria; e das eleições presidenciais, previstas para acontecer no dia 23 de novembro.

De acordo com o professor, "a inquietação que se pode ter é que o Nidaa Tunis venha a ganhar também as presidenciais e concentre demasiado poder político e que isso venha a prejudicar a consolidação do processo democrático". Vasconcelos analisa ainda que o novo Parlamento deverá procurar o consenso até que venham as eleições para chefe do Executivo.

Para ouvir a entrevista de Álvaro Vasconcelos à Radio France Internationale, clique no link acima.
 

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