Burkina Faso/Crise

Burkina Faso fecha fronteiras após queda de presidente

O tenente-coronel Isaac Zida (no centro da imagem) anunciou o fechamento das fronteiras de Burkina Faso, após suspender a Constitução do país.
O tenente-coronel Isaac Zida (no centro da imagem) anunciou o fechamento das fronteiras de Burkina Faso, após suspender a Constitução do país. REUTERS/Joe Penney

As fronteiras terrestres e aéreas de Burkina Faso foram fechadas na noite desta sexta-feira (31), após a demissão do presidente Blaise Compaoré, no poder há 27 anos. O general Nabéré Honoré Traoré assumiu provisoriamente as funções do chefe de Estado, mas a Constituição foi suspensa e um grupo de oficiais criou um novo órgão para a transição política no país africano. Comunidade internacional pede eleições democráticas.

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As autoridades militares de Burkina Faso informaram no final do dia que o toque de recolher seria mantido nas ruas do país entre 19h e 6h. Alegando medidas de segurança, as fronteiras aéreas e terrestres foram fechadas. As decisões foram divulgadas por meio de um comunicado assinado pelo tenente-coronel Isaac Yacouba Zida. O militar, n°2 da guarda presidencial, também anunciou a suspensão da Constituição do país e pediu o apoio da comunidade internacional.

Os comunicados foram feitos após uma declaração, no meio da tarde, do general Nabéré Honoré Traoré, chefe das Forças Armadas, que assumiu provisoriamente o papel de presidente. “Considerando a urgência de garantir a vida da nação, decido que assumirei a partir de hoje as responsabilidades de chefe de Estado”, disse o militar.

Dia histórico

Essa sexta-feira marca um dia histórico para Burkina Faso, com a queda do chefe de Estado após 27 anos no poder. A decisão da demissão foi tomada após quase 24 horas de protestos populares violentos contra o projeto de Campaoré de mudar novamente a Constituição para continuar no cargo. A Assembleia Nacional foi invadida e incendiada, a televisão pública foi tomada por manifestantes e houve troca de tiros ao redor da sede da presidência. Pelo menos 30 pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas. Antes de renunciar, o líder chegou a declarar, na véspera, que iria lançar um diálogo para uma transição, mas que continuaria no poder.

A comunidade internacional começa a se preocupar com as incertezas ligadas a sucessão de Blaise Compaoré. A França, ex-potência colonial, e a União Europeia, pediram a realização “rápida de eleições democráticas”. Mesmo tom do lado de Washington, que pede uma transição que respeite a Constituição do país. 

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