Israel/Jerusalém

Atentado com carro na Esplanada das Mesquitas deixa um morto e eleva tensão em Jerusalém

Jerusalém vive novo dia de tensões com confrontos na Esplanada das Mesquitas.
Jerusalém vive novo dia de tensões com confrontos na Esplanada das Mesquitas. REUTERS/Ammar Awad

Jerusalém viveu nesta quarta-feira (5) um dos piores dias de violência das últimas semanas, com um novo ataque utilizando um carro contra pedestres. Em plena área da Esplanada das Mesquitas, um palestino atropelou cerca de 10 pessoas em uma rua que divide as partes Oeste e Leste de Jerusalém. Um policial israelense morreu.

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O atentado ocorreu na parte palestina da cidade que foi anexada e está ocupada por Israel. O autor ainda atacou outras pessoas com uma barra de ferro ao descer do carro, antes de ser baleado pela polícia. O episódio segue o mesmo procedimento de outro atentado ocorrido há duas semanas, a poucos metros deste mesmo local.

O palestino é um homem de 38 anos que vive no campo de refugiados de Chouafat, um dos bairros do leste de Jerusalém que é palco de tensões há três meses. Sem reivindicar explicitamente o atentado, a organização islâmica Hamas parabenizou o criminoso, identificando-o como o seu membro Ibrahim al-Akari.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu definiu o gesto como “consequência direta das agitações de Mahmoud Abbas e de seus parceiros do Hamas”. No último dia 22 de outubro, um palestino de Silwan, outro local de conflito em Jerusalém Leste, atropelou um grupo de pessoas que descia de um bonde, matando um bebê israelo-americano e um equatoriano.

Embates entre polícia e jovens

Mais cedo, pela manhã, jovens palestinos e policiais israelenses se enfrentaram violentamente na Esplanada das Mesquitas. Manifestantes encapuzados lançaram pedras e rojões contra os policiais que entraram, bloqueando seus acessos. O conflito se estendeu para os arredores, com os policiais lançando gás lacrimogênio e granadas para dispersar a multidão.

Extremistas judeus haviam previsto uma manifestação nesta quarta-feira no local em apoio à Yehuda Glick. Figura simbólica da direita nacionalista que milita para os judeus rezarem na Esplanada, Yehuda foi ferido gravemente por tiros no dia 29 de outubro, em Jerusalém. O suposto agressor, um palestino, foi morto pela polícia israelense no dia seguinte.

Atualmente, os judeus não têm o direito de rezar no Monte do Templo, onde está localizada a Esplanada das Mesquitas. Mas nas últimas semanas, militantes israelenses insistem em entrar na área sem autorização. Essa polêmica, somada aos anúncios de novos projetos de colonização por Israel, compõem um cenário de escalada de tensões em Jerusalém, onde atos de violência se multiplicam há semanas, principalmente no leste da capital.

O Monte do Templo já foi o pivô das disputas israelo-palestinas em outros episódios. A segunda intifada, no ano 2000, teve início justamente após uma visita do ex-premiê Ariel Sharon ao local.

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