Brisbane/G20

Brics querem acelerar criação de banco de desenvolvimento

Dilma Rousseff entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o americano, Barack Obama.
Dilma Rousseff entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o americano, Barack Obama. REUTERS/Jason Reed

Os cinco países emergentes que compõem o grupo dos Brics manifestaram, neste sábado (15), intenções de reforçar a cooperação e de acelerar a implementação de seu banco de desenvolvimento. O grupo quer que as regras do Acordo de Reservas estejam prontas antes da próxima reunião de cúpula, que acontecerá na Rússia, em julho de 2015. A discussão ocorreu em paralelo com o encontro do G20, em Brisbane, na Austrália.

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Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul entraram em acordo, no último mês de julho, para a criação de um banco de desenvolvimento e um fundo de reserva de urgência, dotados de US$ 50 bilhões, que seriam um contrapeso ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional.

A presidente Dilma Rousseff ressaltou, neste sábado, em Brisbane, a importância desta iniciativa “frente às dificuldades da conjuntura econômica internacional”. No encontro com seus pares Xi Jinping, Vladimir Putin, Jacob Zuma e Narendra Modi, Dilma disse que a criação do banco é fundamental para aumentar o papel econômico e financeiro do grupo.

Os Brics anunciaram a formação do conselho de administração interino que conduzirá a próxima etapa do estabelecimento do banco e pediram que ministros de Finanças dos cinco países designem o presidente e vice-presidente da instituição.

O vice-primeiro-ministro da China, Zhu Guangyao, disse que é preciso acelerar o processo: “Estamos todos de acordo de que é preciso ir mais rápido, para que o banco seja estabelecido assim que possível”. Guangyao disse que cada país deve identificar projetos “realistas e que precisam ser apoiados, para que o banco possa começar os financiamentos imediatamente”.

O primeiro-ministro indiano disse que o objetivo é que o banco seja lançado em 2016 e que seu país apresentará em breve o nome de seu candidato à presidência da instituição.

Críticas ao FMI

No encontro deste sábado, também não faltaram críticas ao FMI. O grupo classificou como “desapontamento e grave preocupação” a não-implementação das reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) acordadas em 2010. Para eles, a demora afeta a credibilidade e legitimidade do Fundo.

"A demora injustificada em ratificar o acordo de 2010 está em contradição com os compromissos conjuntos assumidos pelos Líderes do G20 desde 2009. Na eventualidade de os Estados Unidos não lograrem ratificar as reformas de 2010 até o final do ano, os líderes exortaram o G20 a agendar uma discussão sobre as opções quanto aos próximos passos, conforme FMI se comprometera a apresentar em janeiro de 2015”, disse o grupo em uma nota à imprensa,

O acordo dos Brics em julho foi visto com surpresa por outros países ocidentais, que duvidaram da capacidade do grupo de superar suas divergências. Depois de ser por um longo tempo o motor da economia mundial, os emergentes agora seguem caminhos diferentes. O crescimento chinês continua sólido, mas desacelera. A Índia, ao contrário, acelera a seu nível mais alto em 10 anos.

Já a Rússia, mergulhada em sanções internacionais por causa da crise na Ucrânia, vê sua economia estagnada. Todos estão sujeitos às conseqüências do fim da política monetária do banco central americano, que havia provocado um afluxo de capital para estes países.

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