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Liberdade de imprensa

Ong lista mídias que foram alvo de violência antes de Charlie Hebdo

O cartunista Charb, assassinado no dia 7 de janeiro de 2015 no ataque dos irmãos Kouachi contra o Charlie Hebdo, em foto de arquivo na redação da revista, em 2012.
O cartunista Charb, assassinado no dia 7 de janeiro de 2015 no ataque dos irmãos Kouachi contra o Charlie Hebdo, em foto de arquivo na redação da revista, em 2012. REUTERS/Jacky Naegelen/Files
Texto por: RFI
5 min

O atentado do dia 7 de janeiro contra a redação da revista francesa Charlie Hebdo chocou o mundo inteiro ao colocar jornalistas na mira do fogo dos terroristas. Em comunicado publicado nesta terça-feira (20), a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) relembra outros cinco casos de redações que foram alvo de violências ao colocar em prática a liberdade de expressão.

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O canal de televisão iraquiano Al-Iraqiya, criado pela administração norte-americana, teve 14 jornalistas mortos entre março de 2003 e agosto de 2010. Para a RSF, essa foi a mídia do Iraque que mais sofreu ao cobrir a guerra no país.

O calvário da Al-Iraqiya não terminou com o fim do conflito, quando o canal foi repassado ao grupo iraquiano Iraqi Media Network. Outros três jornalistas foram assassinados depois que os Estados Unidos retiraram suas tropas do país.

No total, 230 profissionais de mídia foram mortos desde o início da ocupação norte-americana. Depois da Segunda Guerra Mundial, o conflito no Iraque foi o mais mortal para jornalistas.

Express News, grande inimigo dos talibãs

O canal de televisão paquistanês Express News, célebre por seu profissionalismo e sua visão liberal, também está na lista da RSF das mídias que são alvo das piores violências contra jornalistas. Só em 2014, seis profissionais desta rede de TV foram assassinados.

A maior parte das violências foi reivindicada pelo grupo Movimento dos Talibãs no Paquistão (TTP, na sigla em inglês), inimigo da Express News devido à cobertura crítica da emissora.

Os ataques contra jornalistas são tão frequentes no Paquistão que o número de ameaças ou violências contra os profissionais da mídia não são mais contabilizados.

Símbolo do jornalismo de investigação na Rússia

O jornal Novaia Gazeta paga caro a ausência de proteção aos jornalistas na Rússia, diz a RSF. Cinco de seus repórteres do diário, símbolo do jornalismo de investigação no país, foram assassinados desde 2000. Entre eles, profissionais que trabalhavam no esclarecimento das violações dos direitos humanos durante as duas guerras da Chechênia, como é o caso da jornalista Anna Politkovskaia e Natalia Estemirova, ambas executadas.

Alvo das milícias radicais

Shabelle é a rádio do sistema privado mais conhecida na Somália e, igualmente, a mais visada. Dez de seus funcionários, entre eles, vários diretores, foram assassinados desde 2007.

Embora seja o alvo preferidos das milícias radicais islâmicas, a estação continua a abordar os assuntos sensíveis do país. Ao receber o prêmio da RSF da liberdade de imprensa, em 2010, o diretor de relações internacionais da Rádio Shabelle declarou: “Estamos determinados e continuar nosso combate pela informação independente e o pelo respeito aos direitos humanos”.

Emissora RTS da Sérvia

Foi a própria Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a responsável pelo maior massacre na emissora de rádio e televisão da Sérvia, a RTS. Na madrugada de 24 de abril de 1999, durante o conflito no Kosovo, a aviação bombardeou o prédio da estação, deixando 16 mortos. A aliança alega, até hoje, que o local era “um alvo militar legítimo” por veicular propaganda política.

Pior atentado na França

O atentado do dia 7 de janeiro contra o Charlie Hebdo é considerado o pior da história da França. A revista ficou conhecida ao desafiar os radicais islâmicos e publicar caricaturas de Maomé, entidade considerada sagrada pelos muçulmanos.

Cinco célebres chargistas do Charlie Hebdo foram abatidos friamente pelos irmãos Said e Chérif Kouachi no ataque que chocou o mundo: Wolinski, Cabu, Tignous, Honoré e o diretor da redação, Charb. Dois colunistas da publicação, Bernard Maris e Elsa Cayat, além do revisor Mustapha Ourrad, também foram assassinados durante a fatídica reunião da redação. Outra vítima foi Michel Renaud, diretor de um festival cultural francês Rendez-Vous du Carnet de Voyage, e que participava do encontro no Charlie Hebdo a convite de Cabu.

Outras vítimas dos irmãos Kouachi foram o policial Frank Brinsolaro, segurança de Charb; Frédéric Boisseau, funcionário da manutenção do prédio que abrigava a redação do Charlie Hebdo; e Ahmet Merabet, cuja execução pelos autores do atentado foi filmada por um morador vizinho da sede da revista.

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