Síria/Conflito

Grupo EI controla maior campo de refugiados palestinos da Síria

Palestinos esperam ajuda da ONU no campo de refugiados de Yarmuk, perto de Damasco, capital da Síria.
Palestinos esperam ajuda da ONU no campo de refugiados de Yarmuk, perto de Damasco, capital da Síria. REUTERS/Taghrid Mohammed/UNRWA/Handout via Reuters

Os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) entraram nesta quarta-feira (1) no campo de refugiados Yarmuk, ao sul de Damasco, e controlam quase integralmente o maior acampamento palestino da Síria. O campo estava cercado por forças governamentais sírias, fiéis ao regime de Bashar al-Assad, há mais de um ano.

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Os combatentes ultrarradicais atacaram o local na manhã de hoje. Eles controlam quase integralmente a área, mas grupos palestinos resistem e há ainda confrontos armados, informou o diretor dos Assuntos Políticos da OLP na Síria, Anuar Abdel Hadi.

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) também confirmou que o controle do campo de refugiados pelo grupo Estado Islâmico, após uma batalha com um grupo armado palestino hostil ao regime de Bashar al-Assad. Os jihadistas teriam se infiltrado no local por um vilarejo vizinho, controlado pelo grupo EI.

Maior campo de refugiados palestinos da Síria

O campo de Yarmuk tinha cerca de 160 mil habitantes sírios e palestinos, antes do início do conflito na Síria, há quatro anos. Atualmente, apenas 18 mil pessoas vivem no lugar. Em fevereiro de 2014, após um acordo com o regime de Damasco, os grupos rebeldes sírios deixaram o local que passou a ser controlado somente por organizações palestinas contrárias ao regime.

As condições de vida em Yarmuk são terríveis. O cerco do campo de refugiados pelas forças de Bashar al-Assad provoca falta de alimentos, água e remédios. O avanço do grupo EI no conflito sírio complica ainda mais a situação. Os jihadistas também consideram Damasco como inimigo, mas, na busca pela hegemonia, eles também combatem todos os grupos rebeldes presentes na Síria.

Implantação mundial

Segundo uma lista elaborada pelo IntelCenter, um centro americano de vigilância de grupos extremistas, 31 movimentos jihadistas em todo o mundo apóiam o grupo Estado Islâmico. Deste total, 21 juraram fidelidade ao chefe dos radicais, Abu Bakr al-Bagdadi. Esses movimentos estão implantados em uma região que vai da Argélia, a oeste, até a Indonésia, a leste.

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