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Irã/Programa Nuclear

Teerã e potências chegam a acordo sobre programa nuclear iraniano

Jornalistas russas jogam jogo de xadrez gigante nos jardins palácio Beau-Rivage em Lausanne, onde aconteceram as negociações sobre programa nuclear iraniano
Jornalistas russas jogam jogo de xadrez gigante nos jardins palácio Beau-Rivage em Lausanne, onde aconteceram as negociações sobre programa nuclear iraniano REUTERS/Brendan Smialowski/Pool
Texto por: RFI
4 min

O Irã e as potências ocidentais chegaram a um acordo que prevê que mais de dois terços da atual capacidade de enriquecimento de urânio de Teerã, sejam suspensos e controlados durante dez anos. Assim, a maior parte do estoque iraniano será diluída ou enviada ao exterior, enquanto um acordo definitivo é preparado. De acordo com a imprensa iraniana, isso significa que o país manterá 6 mil de suas atuais 19 mil centrífugas. A ONU se encarregará de verificar o cumprimento do acordo e, em caso de cooperação iraniana, as potências ocidentais podem suspender as sanções a Teerã.

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O acordo foi imediatamente saudado pelo presidente americano. De acordo com Barack Obama, este entendimento "histórico" impedirá que Teerã obtenha a arma nuclear. Obama elogiou os parceiros europeus e o governo iraniano que, de acordo com ele, cumpriu todas as suas obrigações e agiu com uma transparência sem precedentes no que tange programas nucleares. A chanceler alemã, Angela Merkel, também disse que nunca se chegou tãotão perto de impedir que o Irã obtenha a bomba atômica.

De acordo com o presidente iraniano Hassan Rohani, as soluções dão conta de "parâmetros chave" do programa nuclear. Pouco antes de uma coletiva de imprensa concedida por representantes do Irã e do grupo 5+1 (Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha), em Lausanne, na Suíça, Rohani informou pelo Twitter que o acordo começará a ser redigido imediatamente e o texto final ficará pronto até 30 de junho, data-limite para as negociações.

Também via Twitter, a chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini informou que "soluções foram encontradas" e o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier garantiu que havia surgido entendimento sobre os principais pontos. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, celebrou o que chamou de "um grande dia" e garantiu que as bases para um acordo definitivo estão estabelecidas.

Quem não viu motivos para comemorar foi Israel. O ministro das Relações Exteriories Yuval Steinitz disse que "os sorrisos de Lausanne são desconectados da triste realidade" e prometeu continuar a fazer pressão contra o que chamou de um mau acordo.

Sanções

A questão das sanções, no entanto, é delicada, já que elas são impostas não apenas pela União Europeia, mas também pelos Estados Unidos. Para que elas sejam retiradas, é preciso que o presidente Barack Obama consiga o aval do Congresso, dominado pela oposição republicana, que desconfia da boa-vontade iraniana. Além disso, as potências pretendem suspendê-las gradualmente, de modo que possam ser restabelecidas em caso de descumprimento do acordo.

Ameaça israelense

Em comunicado, o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu exigiu que o acordo reduza "consideravelmente" a capacidade nuclear do Irã e obrigue o país a parar com o que chamou de "terrorismo" e "agressões".

Durante a tarde, seu ministro da Inteligência, Yuval Steinitz havia dito que "todas as opções continuavam na mesa", inclusive uma intervenção militar. Ele lembrou que, em 1981, Israel bombardeou um reator nuclear iraquiano à revelia dos Estados Unidos, que se opõem a um ataque contra Teerã.
 

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