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Europeus dizem que ainda é cedo para festejar acordo com Irã

O chanceler francês, Laurent Fabius.
O chanceler francês, Laurent Fabius. REUTERS/Mike Segar

Os chefes da diplomacia francesa e alemã, Laurent Fabius e Frank-Walter Steinmeier, ressaltaram nesta sexta-feira (3) que "ainda é muito cedo para festejar" o compromisso sobre o programa nuclear iraniano. O alemão Steinmeier destacou que "não há nenhuma garantia de sucesso para um acordo definitivo", cuja conclusão está prevista para o dia 30 de junho. O francês Fabius reconheceu avanços, mas salientou que "ainda existem vários pontos complexos a serem trabalhados".

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Os iranianos festejaram o compromisso acertado ontem na Suíça com um buzinaço em Teerã. Homens e mulheres saíram às ruas carregando bandeiras do país e cartazes com a imagem do ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, que se tornou um herói por ter conduzido com sucesso um ano e meio de duras negociações.

O compromisso, negociado na cidade suíça de Lausanne, também é uma vitória política para o presidente Hassan Rohani, que honrou a promessa feita aos iranianos de tirar o país do isolamento internacional.

Iranianos fazem buzinaço em Teerã

Os diplomatas iranianos desembarcaram hoje de manhã em Teerã e tiveram uma recepção calorosa. Sorridente, o ministro das das Relações Exteriores agradeceu o aiatolá Ali Khamenei, que teria apoiado a equipe em todas as etapas.

O acordo-quadro sobre o programa nuclear iraniano prevê que mais de dois terços da atual capacidade de enriquecimento de urânio de Teerã sejam suspensos e controlados durante dez anos. O compromisso afasta o risco de fabricação da bomba atômica, segundo o secretário de Estado americano, John Kerry. Em troca, os ocidentais prometem suspender gradualmente as sanções que sufocam a economia iraniana. Para o presidente americano, Barack Obama, esse acordo-quadro já é "histórico".

Entrave das sanções

A questão das sanções é delicada, já que elas são impostas não apenas pela União Europeia, mas também pelos Estados Unidos. Para que elas sejam retiradas, é preciso que Obama consiga o aval do Congresso, dominado pela oposição republicana, que desconfia da boa-vontade iraniana.

A Rússia, aliada do Irã e discreta nessas negociações, ficou satisfeita e considera que o acordo terá um impacto positivo para a segurança no Oriente Médio. O governo russo defende que os pontos ainda em aberto sejam resolvidos no âmbito do Conselho de Segurança da ONU. Ou seja, todas as sanções impostas ao Irã fora das Nações Unidas devem ser imediatamente suspensas, segundo o governo russo.

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