Quênia/Terrorismo

Manifestação contra governo marca 3° dia de luto nacional no Quênia

Protestos nas ruas de Nairóbi para denunciar a incapacidade do governo em proteger a população.
Protestos nas ruas de Nairóbi para denunciar a incapacidade do governo em proteger a população. REUTERS/Thomas Mukoya

Neste terceiro dia de luto nacional no Quênia, a sociedade civil organiza uma manifestação, em Nairóbi, para denunciar a incapacidade do governo em proteger sua população contra os extremistas islâmicos do Al-Shabab. Na noite desta terça-feira (7) será feita uma vigília em homenagem às 148 vítimas do ataque contra a universidade de Garissa.

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Após o feriado de Páscoa, os estudantes da faculdade de Direito começam a voltar ao campus da universidade de Garissa, no leste do Quênia. No local, ainda são visíveis as manchas de sangue dos 142 estudantes assassinados, no dia 2 de abril. Muitos deles tentaram escapar do massacre pulando cercas de arame farpado.

As autoridades quenianas prometem uma recompensa de mais de R$ 600 mil para quem ajudar na captura de Mohamed Mohamud, conhecido como "Kuno". Esse ex-professor de uma escola corânica de Garissa, que se juntou ao grupo Al-Shabab, é apontado como o autor intelectual do atentado.

Terrorista, ex-estudante brilhante

Um dos autores do ataque identificado pelas autoridades é um ex-aluno da Universidade de Garissa. Abdirahim Abdullahi se formou em Direito em 2013 e foi o 2° de sua classe. Todo mundo pensava que ele teria um futuro brilhante e ficou chocado com a notícia, constatou a enviada especial da RFI a Nairóbi, Sonia Rolley.

Muitos alunos ainda se lembram do colega. Ahmed, estudante da universidade, declarou que na época, Abdirahim Abdullahi não tinha nada de um terrorista. “Apesar de muçulmano, ele adorava festas. Nunca poderia imaginar que ele iria cometer um ataque como este”, disse Ahmed.

Além do choque de saber que o futuro advogado participou do atentado, Mary, estudante de Direito, ficou muito mais preocupada com todas as informações sobre o campus que o ex-aluno deu aos extremistas do Al-Shabab. Para o representante dos alunos, Gérald Kiti, é essencial que a questão da segurança seja debatida na Universidade.

Bombardeio

Ontem (6), a Força Aérea do Quênia bombardeou duas bases dos radicais islâmicos do Al-Shabab na Somália. Segundo o porta-voz do exército, os dois alvos foram atingidos e as bases destruídas.

Mas o grupo radical desmentiu a informação, garantindo que as bombas caíram longe das duas bases.

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