Quênia/Terrorismo

Quênia bloqueia contas suspeitas de financiar milícia islâmica Al-Shabab

Em Nairóbi, bandeiras do Quênia envolvem sepulturas representando as vítimas do massacre de Garissa.
Em Nairóbi, bandeiras do Quênia envolvem sepulturas representando as vítimas do massacre de Garissa. Sonia ROLLEY/RFI

O governo do Quênia decidiu bloquear nesta quarta-feira (8) contas bancárias e operações financeiras de 85 pessoas e entidades suspeitas de financiar as atividades do grupo Al-Shabab. A milícia islâmica baseada na Somália cometeu o massacre que matou 148 pessoas na Universidade de Garissa, no dia 2 de abril.

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Entre as organizações suspeitas, cuja lista foi publicada hoje no Diário Oficial do Quênia, estão empresas que fazem transferências de dinheiro para a Somália e ONGs ativas no território queniano, como a Muslims for Human Rights e a Haki África. Essas associações denunciam com frequência a estigmatização e a repressão das comunidades muçulmanas, que se concentram nas regiões norte, leste e no litoral do Quênia.

As transferências de dinheiro entre o Quênia e a Somália são frequentes e os montantes elevados. Por causa da guerra civil que dura 20 anos, milhares de moradores da Somália se refugiaram no Quênia e enviam dinheiro para os parentes que ficaram do outro lado da fronteira. Como não existe, na Somália, um sistema bancário estabelecido, as transferências são feitas por essas empresas que o governo queniano suspeita de alimentar o grupo terrorista islâmico.

No sábado, dois dias após o massacre à Universidade de Garissa, o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, declarou que "aqueles que planejam e financiam o terrorismo estão profundamente implantados na sociedade".

Na terça-feira (7), a polícia deteve um sexto suspeito de envolvimento no ataque da milícia Al-Shabab e interroga, agora, cinco quenianos e um suspeito da Tanzânia.

O atentado de Garissa, em que 142 estudantes, três policiais e três soldados quenianos morreram, é o mais grave registrado no país depois do ataque da Al Qaeda à embaixada dos Estados Unidos em 1998, que deixou 213 mortos na capital, Nairóbi.

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